Eu queria ficar até domingo (dia 26), mas Patricia achou melhor sairmos de Tilcara logo e rumarmos para San Pedro de Atacama, no Chile. Compramos a passagem para quinta-feira, dia 23. Compramos em Jujuy para embarcar em Purmamarca (que fica a apenas meia hora de Tilcara). Madrugamos e chegamos na parada, em frente a um hotel de Purmamarca, às 8h30. O ônibus passaria às 9h30. Já tinha gente esperando.
Foi o dia mais gelado da minha vida. Achei que meus pés iriam adormecer e cair. Fazia um frio absurdo e o sol demorou a aparecer, já que a cidadezinha fica entre as montanhas. Parecíamos um bando de loucos na beira da estrada, correndo de um lado para o outro para esquentar. 9h30 e nada. 10 horas, nem sinal. Passou o primeiro ônibus e pegou metade do pessoal. Nós duas e o resto esperaríamos o segundo (são empresas diferentes). O veículo acabou passando às 11 horas, quando o sol já estava brilhando e se podia ver com nitidez o Cerro de los Siete Colores. Mas continuava frio. Mas uma vez o que valeu foi a paisagem em Purma e todo o caminho até San Pedro. Algo surreal e maravilhoso. Uma Cordilheira dos Andes diferente das que eu já tinha visto, um salar bem no meio da estrada e vulcões lindos.

estrada argentina - chile
Passamos pela aduana argentina, entre as montanhas, e duas horas depois já estávamos em San Pedro. O controle imigratório chileno fica na cidade. Um encanto de cidade, por sinal. Linda. A rua principal, Caracoles, parece que foi construída somente para o turismo. Cheia de restaurantes e barzinhos super charmosos e super, super caros. Se eu pagava 2.700 pesos chilenos (560 equivale a mais ou menos 1 dólar) por um menu com entrada, prato principal, bebida e sobremesa em Santiago, aqui o preço médio fica entre 5 e 8 mil (às vezes sem bebida).
Os arredores de San Pedro reservam vales espetaculares, com formações que lembram a lua (como o Valle de la Luna), uma cordilheira de sal, o Salar do Atacama (com 100 quilômetros de comprimento e 40 de largura), lagoas, gêiseres. Enfim, para quem gosta de natureza diferente, esse é o lugar. As raízes indígenas também estão muito presentes. Há um sitio arqueológico a 3 quilômetros da cidade, chamado Pukará de Quitor, com as ruínas de uma civilização de índios aymará que foi colonizada pelos incas no início do século XVI e depois dizimada pelos espanhóis numa sangrenta batalha que ocorreu em 1540.
O mais legal é alugar uma bicicleta (cerca de 5 mil pesos chilenos pelo dia inteiro) e sair percorrendo as ruazinhas da cidade, cheias de casas de adobe, e toda essa região lindíssima. É uma cidade que, se não fosse pelo alto custo, eu ficaria por muitos e muitos dias só curtindo o astral do deserto e as estrelas (San Pedro é também um centro para observação do céu) e, é claro, olhando e olhando os Andes e o vulcão Licancabur (xxxx m), na fronteira com a Bolívia.
Mais:
- San Pedro fica num altiplano, a duas horas da fronteira com a Argentina e meia da divisa com a Bolívia. Encontrei a Ninoska, uma canadense que conheci em El Calafate. Ela está em um dos meus posts sobre El Chatén, fomos juntas fazer trekking lá.
- Por aqui se faz uma das excursões mais famosas da região: a do Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo. Olhando o preço, vi que os tours por aqui são bem mais caros do que pela Bolívia, mas eu não podia deixar de visitar essa partezinha do Deserto do Atacama.
- Ficamos num hostal bem tranquilo e um pouco longe do centro, chamado Hara. A maioria do hostals e hostels daqui são muito simples. Pagamos 8 mil por pessoa com café da manhã e banho quente 24 horas por dia. Muito importante no inverno do deserto, que é muito, muito frio. O HI daqui não tem cozinha e nem banho quente. Fuja dele.
- No nosso último dia em San Pedro, fomos conhecer o Gêiser del Tatio, que fica a uma hora e meia de San Pedro. O horário de maior atividade dele é das 6 às 7 da manhã, por isso, acordamos à 3 da matina e rumamos numa excursão para lá. Temperatura: -15 graus. Mas vale a pena. (os gêiseres são formados pelo contato de águas subterrâneas frias e pedras quentes).
Estarei indo ao Atacama em setembro. Estou tendo dificuldade de informações sobre onibus que faz o trajeto de Salta a San Pedro de Atacama. Alguem pode me ajudar? Gostaria de saber se há onibus diariamente, se posso deixar para comprar a passagem quando chegar a Salta, etc. etc. Grata, Lurdes
olá Lurdes
existem duas companhias que fazem o trajeto Salta – San Pedro: a Pullman e a Geminis. As duas são igualmente confortáveis. Os onibus saem três vezes por semana, às quintas, sextas e domingo (pelo menos era assim quando fui), de manhã. Você pode comprar quando chegar a Salta sim, mas acho legal comprar com uma antecedência de uns três a cinco dias. Melhor ir ao terminal de ônibus se informar assim que chegar na cidade, pois muitos mochileiros fazem esse trajeto. A viagem vale super a pena, é maravilhosa. espero ter ajudado. beijos, Renata