Não há como ir para Manhattan e não dar pelo menos uma passadinha no Central Park. O parque é enorme e super charmoso e cheio de gente correndo, passeando com cachorro, andando de bicicleta, tomando sol, fazendo piquenique e muitas outras atividades durante o verão. Dessa vez eu fui conhecer a parte norte do parque e achei o máximo. Os turistas somem e só se vê gente local. Na altura da rua 80, no lado oeste, fica o Delacorte Theater que apresentou gratuitamente até o dia 30 de julho (ok, ok, eu escrevi esse post um tempão atrás, mas só postei agora) o festival Shakespeare in the Park. Todo dia, logo cedinho, é possível ver centenas de nova iorquinos em frente ao teatro, com suas cadeiras, toalhas, almofadas, Ipods, jornais e livros. É a fila do ingresso. Eu passei lá cerca de 9 horas e a fila já estava grandinha.
Mas a altura da rua 80 era só o começo da minha caminhada matinal pelo Central Park. Comecei na 73, no lado leste e depois de algumas horas caminhando e admirando a paisagem, cheguei do outro lado do parque, no Harlem, o bairro tradicionalmente negro de Manhattan (e que tem também uma área de grande concentração de latinos, conhecida como Spanish Harlem). Por lá, tudo é um pouco diferente. A agitação de midtown, com gente apressada cruzando as ruas com Iphone numa mão e Starbucks Coffee na outra, dá lugar a uma tranquilidade meio caótica. As ruas ficam cheias, mas de gente sentada nas portas das lojas ou nas varandas das casas. Dei uma volta pela área central do Harlem, que também se destaca pela arquitetura do século 19, e um pulo no The Studio Museum in Harlem (144 West 125th Street). Era quarta-feira e o museu estava fechado. Falei para o segurança que seria meu último dia na cidade e ele me deixou entrar com um grupo de estudantes. Achei interessante a exposição de artistas afro-americanos que participaram do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos na década de 1960. Depois, um almocinho no Amy Ruth’s (113 W 116th St) para provar a comida típica do sul do país (a couve estava no cardápio) e subway para downtown. Uma coisa interessante que já virou atração turística no Harlem é assistir ao coral das muitas Igrejas Batistas aos Domingos. A Metropolitan Baptist Church (151 West 128th Street) é uma delas.
East Village, West Village e Meatpacking District foram os distritos de downtown que conheci nessa minha quarta ida à Nova Iorque. No East Village eu fui atrás de alguns brechós que já havia pesquisado na internet. Eu adoro comprinhas, mas como todas as grandes lojas de Nova Iorque também estão em DC, eu nem perdi meu tempo com elas. Visitei algumas “second hand stores” e gostei da pequenia AuH2O, com cara de boutique (84 East 7th Street, entre a primeira e segunda avenidas). O bairro é charmoso e no meu cardápio do almoço teve comida indiana de um restaurante que achei por acaso (Heart of India. 79 2nd Avenue). Entrada, sopa, prato principal, chá e sobremesa por 10 dólares (mais taxas e gorjetas).
Outra coisa legal é legal caminhar pelas ruas de paralelepípedo do Meatpacking District e ver o contraste entre os antigos abatedouros de carne do início do século XX e restaurantes, bares chiquérrimos e lojas carríssimas de estilistas como Stela Mcartney e Diane von Furstenberg. Na década de 80 bairro ficou conhecido como ponto de drogas e prostituição, passou por uma reformulação que começou nos anos 1990 e hoje é conhecido por atrair gente jovem, descolada e com muito dinheiro para gastar. Ali mesmo, no Meatpacking District fica o High Line Park, um parque elevado, construído onde antes passavam trens. O parque é na verdade bem grande, e se alonga por muitas quadras. É mais um jeito legal e diferente de ver a cidade e o Rio Hudson.
O Meatpacking District está coladinho nos bairros de West Village e Chelsea. Chelsea é conhecido como o reduto gay de Nova Iorque. Eu fui no Chelsea Market, um mercado chique que vende de tudo desde frutas, legumes e verduras, a café e guloseimas, e que também tem muitos restaurantes. Foi construído onde um dia foi a fábrica dos biscoitos Oreo. Encontrei até um tipo de pão de queijo, mas era meio seco, nada comparado ao nosso.
West Village foi outra surpresa legal, com suas ruas calmas e arborizadas e um café e um restaurante charmosos em cada esquina. Parei no Grounded (28 Jane Street) para tomar um cafezinho gelado e recarregar as baterias. Acho que se fosse morar em Manhattan, escolheria West Village como o meu lugar.
Nova Iorque. Acho que só quem conhece é que pode entender o fascínio que ela exerce nas pessoas.




