Arquivo do mês: abril 2009

Três vezes

Essa é a minha terceira vez em Buenos Aires. Mas cada vez que venho é diferente. Diferente porque nunca sou a mesma pessoa, diferente porque conheço outros lugares e porque tenho outras companhias. Mas uma coisa que nunca muda é o Francisco. Francisco tem seus 25 anos, simpático, meio tímido, inteligente, sensível, argentino. Ah, e toca piano. Nas minhas duas últimas vezes na cidade, saímos para almoçar e jantar. Agora, ele me convidou para ficar na casa dele, e cá estou. Trouxe todas as minhas tralhas e vou passar alguns dias aqui, conhecendo uma outra parte de Buenos Aires. Na verdade, a casa do Francisco fica em San Isidro, uns 30 minutos de trem do centro. Aqui tem muito verde, ruas silenciosas, casas bonitas e o Rio da Prata a poucos metros. Vai ser difícil ir embora…Virei um pouco professora de português do Francisco e da família dele, que me recebeu muito bem. Eles também estão me ensinando um pouco de castellano. Eita sotaquezinho difícil esse, eim, e isso que estudei espanhol por um ano e meio. Agora pouco eu desci para jantar com a família; pai, mãe, irmã, irmão e Francisco. E quando eles desatam a falar rápido não tem brasileiro que entenda, hahaha. Mas tudo bem, eles estão sendo bem pacientes e estão hablando despacio para que eu possa me integrar um pouquinho.

passeio por beccar

passeio por beccar

jantar em palermo

jantar em palermo

mercado das pulgas

mercado das pulgas

 

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Menos, bem menos

Saí de Puerto Iguazu, uma cidadezinha bem bacana, às 15h30 do dia 23 de abril. Cheguei a Buenos Aires às 9 horas do dia 24. O ônibus era praticamente um pinga-pinga chique. Parou em várias cidades para pegar passageiros. Serviu vinho, champagne e wisky à vontade. Depois de uma noite mal dormida só faltava pegar a minha bagagem e seguir de trem para Beccar, o bairro em que vou morar por alguns dias. Mochilão, mochila, bolsa e uma sacola. Não pensei que ia ser tão difícil carregar tudo isso. Saí do terminal do Retiro cambaleando em direção à estação de trem, também no Retiro. É perto, uns cinco minuto a pé. Eu levei uns 20. Comprei minha passagem e o trem estava por partir. Tive que correr com toda a bagagem nas costas mas, ufa, consegui pegar o trem. Trinta minutos depois já estava em Beccar e, aí, mais um perrengue. Atravessar a estação e andar até a casa do Francisco. Geralmente leva uns 3 minutos. Eu levei 15. Fazia um friozinho mas eu cheguei suando. Ufa! Vou deixar algumas coisas por aqui mesmo. Menos, bem menos.

meu lugarzinho por alguns dias

meu lugarzinho por alguns dias

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Adeus, Paraguai

Magdalena me levou para dar uma volta no meu último dia em Ciudad Del Este. Fomos ao mercado municipal da cidade, onde se pode encontrar hortaliças plantadas pelos agricultores da região, carnes e comidas típicas. Também dá para almoçar e jantar. Já na entrada, crianças e mulheres vendem frango de uma maneira bem inusitada. Seguram o animalzinho pelo pé, envolto num saco plástico e saem com ele oferecendo para quem passar por perto. Não é algo muito higiênico não, mas…O mercado é bem organizado e as comidinhas típicas são uma delícia.

 

– Mbyu (palavra em guarani, a pronúncia é beju): é bem parecido com a nossa tapioca. Leva mandioca e farinha de milho.

– Chipaguazu: é o grão de milho batido com queijo, cebola, leite e ovos.

– Sopa paraguaia: apesar do nome, o prato não é uma sopa e sim uma espécie de bolo de fubá salgado. Vai varinha de milho e queijo.

 

Vou sentir saudades!

vai um franguinho aí?

vai um franguinho aí?

comidas típicas

comidas típicas

garotinho guarani

garotinho guarani

os ônibus da cidade são assim. esse até que está ajeitado

os ônibus da cidade são assim. esse até que está ajeitado

praça em frente à casa da Magdalena e do Rafael

praça em frente à casa da Magdalena e do Rafael

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Arroz, feijão e chipas

Estacionamento antes da ponte, chefe?. E o cara bate no seu vidro com toda a força. Estacionar, patrón?, outros três chicos se jogam na frente do carro, agora depois da ponte. A calçada você não enxerga, os ambulantes tomaram conta de tudo. É lixo na rua, gente te puxando para dentro das lojas, vendedoras de meia, carros, vans, motos e pessoas brigando por um espaço. Caos no trânsito e muitas, mas muitas lojas, a maioria de procedência suspeita. É essa a Ciudad Del Este que quase todos os brasileiros conhecem. O que muita gente nem imagina é que existe uma outra cidade por trás dessa loucura toda. Eu fui conhecer. Passei dois dias na região e pude olhar uma Ciudad Del Este diferente: cheia de verde, com ruas mais largas e muitas casas. Uma cidade que gira em torno da Itaipu. O trânsito nessa área também é um pouco doido, é verdade. Praticamente não há sinaleiros e os carros se atravessam uns na frente dos outros. O transporte coletivo também é uma vergonha. Ônibus pequenos e muito velhos que andam com a porta aberta e, em horários de pico, tem gente pendurada por todas as partes (tá, isso existe no Brasil também). Mas sem contar esses detalhes, e o fato dos seguranças de lojas e casas de câmbio andarem armados com escopetas, a cidade me agradou. Passei esses dois dias na casa de uma família Servas. Explico. O Servas é um programa que nasceu na Dinamarca em 1949 com o intuito de disseminar a paz no mundo. A ideia deu tão certo que hoje existem milhares de pessoas de inúmeros países que fazem parte da rede. Eu sou uma delas. Dentro do Servas, pode-se conhecer lugares, costumes e culturas hospedando-se nas casas de anfitriões. A família da Magdalena e do Rafael Ortiz foi meu primeiro contato com o Servas e foi uma experiência muito boa. Fui bem recebida por eles e por Tatiana e Guillermo, filhos do casal. Numa casa ampla e cheia de verde, onde se pode colher abacate e acerola do pé, pude conhecer um pouco sobre a cultura desse país que é tão discriminado por nós, brasileiros. A casa fica numa área onde moram funcionários da Itaipu. É dentro da cidade, mas bem afastada do centro. Eu me senti totalmente à vontade na minha primeira parada fora do Brasil. Magdalena é brasileira e Rafael, paraguaio. Quem passa por lá, e olha que já foram muitos hóspedes, entre Servas e não Servas, pode observar a confusão de idiomas. Um fala em espanhol, outro responde em português e o outro acaba misturando as duas línguas. Mas todos se entendem, inclusive o seu Gualberto, pai de Rafael, 90 anos, e que, tirando um problema de audição, tem uma saúde de ferro. Os dois cachorros da família, Rex e Fiona, também parecem entender. Nesses dois dias, fiz um tour pela cidade, fui jantar num restaurante japonês, fui a um barzinho, passei por três países na mesma tarde e ainda conheci Itaipu. Mas, sem dúvida, o que mais me deixou alegre foi o fato de ter convivido com pessoas tão especiais.

 

 

rafael e magdalena

rafael e magdalena

 

guillermo, tatiana (os anfitriões) e rodrigo

guillermo, tatiana (os anfitriões) e rodrigo

 

 

Curiosidades:

– Itaipu em Guarani significa pedra que canta. A parte da usina que fica no Paraguai não está em Ciudad Del Este. Ela fica em Hernandarias, um município vizinho.

– Chipa, que está no título do blog, é uma espécie de pão de queijo paraguaio. A receita leva farinha de milho, queijo e polvilho. Delícia!

– Oito brasileira, sete paraguaia. É assim que o pessoal que mora lá se entende com os horários. É que o Paraguai está uma hora atrasado com relação ao Brasil.

 

 

Os posts de Ciudad Del Este ainda não acabaram. Já estou em Buenos Aires mais ainda tenho umas coisinhas para contar.

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Borboletando

Difícil encontrar um lugar com tantas borboletas. Elas são muitas, de todas as cores e tamanhos e deixam as Cataratas do Iguaçu ainda mais bonitas.  Fui visitar o lado argentino no domingo, um típico passeio em família. É que meus pais vieram comigo. Uma maneira legal de se despedir. Pois bem, voltei às Cataratas argentinas depois de 11, 12 anos. Não lembrava o quanto esse lugar é bonito. Indescritível.

 

Voltando às borboletas, a que me chamou mais atenção foi uma borboletinha branca com listras pretas, um detalhe vermelho e o número 88 estampado nas asas. O infinito. Curioso isso para um inseto de vida tão curta…A gente pode ver também muitos e muitos outros animais dentro do parque. Vi um bandinho de gralhas amarelas que, em cima das árvores, pareciam estar se exibindo para quem parava para fotografar. Os quatis são um episódio à parte. Eles se aglomeram perto das lanchonetes em busca de comida. Cheiram tudo o que veem pela frente e são tão bonitinhos. Mas muito cuidado, porque eles podem roubar o seu lanchinho. Um casal de uruguaios estava sentado num banquinho tomando tererê e se preparava para um picnic. Os quatis foram se aproximando sem que eles ou ninguém à volta desse conta. De repente, um deles deu o bote: arrancou um pacote de sanduíches da mão do rapaz e saiu correndo em direção a uma árvore. Outros dez bichinhos daqueles foram seguindo o ladrão em fila indiana e fizeram a maior folia com a comida. Uma barulheira que atraiu a atenção de quem estava pelas redondezas. E turista que é turista não deixa por menos né…lá se vão mais alguns flashes. E o casal teve que se contentar com o tererê.

 

infinita

infinita

Ah é, as Cataratas, sim, sim. Foi um espanhol, Alvar Nuñes Csbeza de Vaca, quem descobriu as Cataratas do Iguaçu em 1541. Dentro do Parque Nacional Iguazu, um trenzinho que leva os visitantes até perto das quedas. Só o passeio de trenzinho já vale o ingresso, que para brasileiros custa 30 pesos. Há vários saltos, o mais bonito e impressionante, sem dúvida, é a Garganta do Diabo, que tem 150 metros de altura. O volume de água é enorme, e olha que a região vive um período de estiagem, o barulho é grande e, dependendo do vento, dá até para se molhar um pouquinho. As passarelas são relativamente novas, foram inauguradas em 2001. Andando por elas, é possível passar por baixo e por cima das águas. Isso faz o lado argentino bem mais emocionante que o brasileiro.

 

piuiii, piuiii

piuiii, piuiii

 

garganta e renata

garganta e renata

 

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Packing

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Inventando o mundo

A minha imaginação ia longe quando eu abria aquele livro de capa amarela em que uma menininha segurava o mundo. O ano eu não me lembro exatamente, eu deveria ter uns 7. ‘Lili inventa o mundo’, do Mario Quintana, me marcou e o nome do blog nasceu dele. O livro, já não tenho mais. O que tenho ainda, e muito, é a vontade de sair sonhando por aí e inventando o meu mundo.

 

Sempre tive essa inquietação, essa vontade de sair de Curitiba e ir conhecer outras partes. Sonhava, pensava, lia mil coisas sobre mil lugares. Até que em um dia de outubro de 2008, depois de ler uma matéria de uma jornalista que viajou quatro meses pela América Latina, decidi: era isso que eu queria fazer. Pronto. Juntei dinheiro, larguei meu emprego, vou deixar minha casa, minha família e meus amigos para conhecer países desse continente grandão. Quero poder contar aqui as minhas experiências, as minhas dúvidas e os meus aprendizados. No dia 18 de abril eu começo a viagem. Foz do Iguaçu é a primeira parada.

 

Eu não vou parar de sonhar. Isso nunca. Mas agora vou viver um pouquinho também.

 

“As pessoas sem imaginação podem ter tido as mais imprevistas aventuras, podem ter visitado as terras mais estranhas. Nada lhes ficou. Nada lhes sobrou. Uma vida não basta ser apenas vivida: também precisa ser sonhada”. Mario Quintana (‘Lili inventa o mundo’)

 

 

 
 

 

 

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