Ônibus, rodoviária, amanhecer, Patagônia e Ana


As 15 horas entre Bariloche e Comodoro Rivadavia passaram rápido. Dormi bastante e às 6 horas da manhã desembarquei na rodoviária. Às 8, já estava em outro ônibus. Ainda estava escuro. Por aqui, nessa época, o sol começa a se levantar às 8h30, 9 horas. Foi em Comodoro Rivadavia que vi um dos nasceres do sol mais lindos nessa minha vida. A estrada contornava a paisagem árida da Patagônia e o mar do atlântico. Por de trás do mar, nascia um sol colorido, uma mistura de cor de rosa, amarelo e laranja. Um dos pontos altos da jornada. Neste segundo ônibus, foram mais 12 horas até Rio Gallegos, com direito a parada no meio do nada, para um lanchinho, e em diversas cidadezinhas Patagônia afora. Uma delas, Puerto San Julian, estampava uma placa na entrada com todo o orgulho do mundo: Puerto San Julian, onde se rezou a primeira missa em solo argentino.

ônibus em movimento: nascer do sol em comodoro rivadavia
ônibus em movimento: nascer do sol em comodoro rivadavia

Ufa, agora só faltavam mais quatro horas. Desembarquei em Rio Gallegos ainda sem saber o que faria. Sem passagem para El Calafate, não sabia se teria que passar a noite num hostel, na rodoviária, ou se seguiria viagem ao meu destino final ainda naquela noite. O ônibus parou no terminal às 20h15 e o último ônibus para Calafate sairia às 20h30. Corri para o guichê, arrastando a mochila, e consegui comprar a passagem. Pronto! Cansada, com fome e de mau humor – isso eu tenho de sobra às vezes – embarquei no terceiro busão. Lá me recebeu Ana, sentada na poltrona 1. Uma argentina nascida em Buenos Aires e que adotou El Calafate como seu lar há 30 anos. Minha viagem até lá não poderia ter sido melhor, sentada ao lado de pessoa tão interessante que me contou muitas coisas sobre a Argentina e sobre a cidadezinha que eu estava prestes a conhecer. Pintora e professora de desenho, Ana é uma daquelas pessoas passageiras, mas que marcam a gente por algum motivo. O motivo, sem dúvida, foi a sabedoria com que me falava sobre tudo. Me ofereceu carona até o hostel, quando desembarcamos em meio à madrugada gelada da quarta-feira. Mas um taxi pago pelo hostel já me esperava no terminal de ônibus. A Ana fez a minha jornada até El Calafate mais bonita.

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