Arquivo do mês: junho 2009

Vida mendocina

Mais uma vez a sorte estava do nosso lado e cruzamos, Monia e eu, a fronteira Chile/Argentina um dia antes dela fechar. Saímos de Santiago às 10 da manhã rumo a Mendoza. A travessia é feita pelos Andes e dessa vez, sim, pude curtir o caminho (Bariloche/Puerto Varas eu dormi). É uma estrada linda, que corta a cordilheira na região em que ela é mais alta. É uma subida sinuosa que chega a quase 3.500 m de altura. E eu, que ainda não cansei de ver montanhas, olhava para fora da janela do ônibus extasiada. Quando começa a descida, a paisagem muda e as montanhas nevadas dão lugar a morros de terra colorida. É um sinal de que nos aproximamos de Mendoza, uma região desértica e propícia para o cultivo de uvas e, é claro, para a fabricação dos melhores vinhos argentinos.

subida dos andes de ônibus

subida dos andes de ônibus

A cidade fica colada aos Andes, toda a água consumida vem dos rios formados pelo degelo das montanhas. Em 2002, ficou pronto um dique que ajuda a região no abastecimento. Aqui praticamente não chove; os mendocinos têm 300 dias de sol por ano. As tempestades de neve, que ocorrem constantemente no inverno, ficam somente nas montanhas e fecham frequentemente a fronteira (desde que estou aqui – cheguei no dia 15 – ela esteve fechada por sete dias). Essas nevascas, às vezes, trazem o zonda, um vento quente que vem do pacífico e que causa muitos estragos (destelhamento de casas, queda de árvores, etc…). Quando ele está passando as temperaturas se elevam muito e, depois, baixam drasticamente. Ele passou por aqui no dia 19 e a temperatura chegou aos 28 graus. No dia 20, meu aníver, ela baixou para 5.

estrada que liga a argentina ao chile. fechada pela neve (eu havia passado por ela quatro dias antes)

estrada que liga a argentina ao chile. fechada pela neve (eu havia passado por ela quatro dias antes)

Fora isso, aqui o sol brilha alto e sol alto é motivo para cavalgadas, passeios de bike pelos vinhedos de Maipú (imperdível), caminhadas no parque San Martin e voltas pelo centro. E aulas de espanhol… Eu fiz tudo isso e estou curtindo muito a cidade. Monia passou seis dias aqui e seguiu para o norte. Eu fiquei. E já estou entrando no ritmo mendocino. Mendoza é a quarta maior cidade da Argentina, mas a impressão que dá é de que é uma simples cidade do interior. Aqui tudo é devagar: é só sair pelas ruas às 3 horas da tarde de um dia comum de semana para constatar. Não se vê quase ninguém e o comércio está todo fechado. É a famosa siesta, que começa a 1h30 da tarde e vai até às 4h30. Essa é a melhor hora para dar um pulinho no parque (o maior e mais bonito que conheci), no zoológico (lindo e muito bem organizado), ou ficar de papo para o ar no hostel (como estou fazendo agora, escrevendo e comendo…).

caminhos do vinho em maipú

caminhos do vinho em maipú

cavalgada em tupungato (mirante de estrelas), valle del uco

cavalgada em tupungato (mirante de estrelas), valle del uco

Mais…

– Mendoza é uma parada imperdível no roteiro argentino. Nem que seja por poucos dias. Há milhares de coisas para fazer, contrariando o que muitos mochileiros dizem…

– A região tem milhares de vinhedos (bodegas), que incluem famosas, como a Catena Zapata, e familiares. A melhor forma de conhecê-las é alugando uma bike, escolhendo um roteiro e ir parando para os tours e as degustações. É só pegar um ônibus no centro da cidade, descer em Maipú e lá alugar a bicicleta. O aluguel na empresa do Mr. Hugo (um senhor muito simpático) custa 25 pesos (full day). A experiência é válida para conhecer um pouco mais sobre os vinhos mendocinos (muitos famosos no mundo pela variedade Malbec), pedalar por entre álamos e plátanos (que nesta época estão com as folhas amarelinhas) e ,de quebra, curtir os Andes ao fundo. Ah, e é claro, beber e pedalar. Uma ótima combinação (mas se o camarada beber demais, o Mr. Hugo vai resgatar…).

– Outra coisa legal para fazer nessa época do ano é esquiar. Além de Lãs Leñas, o centro de esqui mais famoso da Argentina, há também Penitentes e Vallecitos, mais baratos e próximos da cidade. Eu ainda não fui…estou querendo ir esta semana.

 – Mais atividades ao ar livre: cavalgadas pelo Valle del Uco, trekking na cordilheria, rafting, parapente…as opções são muitas. Escolha uma ou faça todas!

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Valpo é o paraíso

Valparaíso é um charme, uma loucura deliciosa. Trânsito agitado e milhares de casas coloridas amontoadas nos cerros que rodeiam a cidade. São 42 morros no total. Para subi-los, a melhor maneira são os ascensores ou as pernas. E haja pernas, pois os caminhos são muito íngremes. Eu, que há poucos dias havia escalado o Villarrica, não senti muito. Eu e Monia gostamos tanto da cidade que uma noite virou duas e duas viraram três. Melhor ainda porque conhecemos Pedro, um brasileiro que viveu 10 anos na Nova Zelândia e decidiu largar tudo para viajar de moto pela América Latina.

Valpo é considerada a capital cultural do Chile. A cidade respira arte em todas as formas. É só caminhar pelas ruas (sempre com um mapinha na mão) para ver, sentir e admirar desenhos, grafites e poemas estampados em muros, casas e edifícios. É tudo muito colorido. Essa cultura toda se mistura com os negócios: Valparaíso é também o porto mais importante do Chile, sempre muito, muito movimentado.

porto de valpo

porto de valpo

ascensor, casa suspensa e valpo

ascensor, casa suspensa e valpo

Achar alguma coisa para fazer aqui não é nada difícil. O mais legal é olhar o mapinha, eleger um dos morros e subir curtindo a vista e as casas típicas da região. Na cidade viveu Pablo Neruda, um dos escritores mais importantes do Chile. No início da década de 60, ele construiu uma casa de quatro pisos no alto do cerro Bellavista. A vista lá de cima é fantástica. O escritor amava o mar e a impressão de quem entra na casa é a de que o Pacífico está ali do ladinho, é só colocar os pés para fora (de fato, ele está há poucos metros, é só olhar para baixo). A casa é hoje um museu e conserva móveis e objetos que foram de Neruda. Sobre Valparaíso e sobre La Sebastiana (a casa), Neruda escreveu lindos textos.

bequinho das artes no morro

bequinho das artes no morro

palhaço na casa

palhaço na casa

Mais:

– Os cerros são todos desnivelados, divididos por “andares”, por assim dizer. Depois que a parte baixa foi totalmente povoada, os moradores passaram a construir suas casas nos morros. No início, havia somente dois ou três andares. Hoje existem até doze.

– Parte da cidade foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 2003.

 – Valparaíso tem o bonde (trolley) mais antigo em funcionamento na América do Sul.

– Um moderno metrô liga Valpo a Viña de Mar. O balneário vizinho é muito bonito, mas nem de longe tem o encanto de Valparaíso.

– Um bom hostel é o El Rincón Marino. 7.700 pesos com café da manhã em quarto duplo com TV a cabo.

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Santiago gastronômica

Voltei!! Depois de muitos pedidos, o blog voltou a ser atualizado. Já estou em Mendoza, mas vou falar também sobre Santiago e Valparaíso, duas cidades que gostei muito de conhecer. Obrigada a todos que comentaram no blog nesses últimos tempos.

O busão dos mochileiros desembarcou no terminal de Santiago às 7 da manhã e o povo todo se dividiu. Eu e Monia fomos para um hostel e tiramos a tarde para caminhar pelas ruas do centro da cidade, do bairro Bellavista (um dos mais charmosos) e do Brasil (onde ficamos hospedadas).

plaza de la moneda

palácio de la moneda

A capital chilena foi uma surpresa bem agradável. A maioria dos mochileiros que conheci pelo caminho não falou muito bem do lugar. Eu gostei. Santiago me pareceu uma cidade limpa e organizada, mas sem cara de capital. Com destaque para o Cerro San Cristóbal, em Bellavista, de onde se pode ver as montanhas que rodeiam a cidade; e para a deliciosa comida que eu e Monia experimentamos por lá. Pode-se subir o cerro a pé ou no funicular. Não é muito alto, mas a vista que se tem lá de cima é bem interessante: ruas, casas, prédios, carros e pessoas cercados de um lado pela Cordilheira dos Andes e de outro pela da praia. Parece uma enorme panela, dentro da qual até o barulho dos veículos fica abafado. A parte ruim dessa beleza toda é a poluição, que fica concentrada em cima da cidade, deixando tudo meio cinza. A maior parte do tempo só é possível ver o contorno das montanhas. E isso sem falar nos olhos e no nariz ressecados. Uma pena.

Depois de conhecer as belezas naturais e as lindas construções da cidade; de degustar ótimos vinhos na vinícola Santa Carolina; de andar no moderno metrô e de ver os carros e ônibus pararem no meio da rua para os pedestres passarem, só nos restava uma coisa: comer, comer, comer. Eis o título do blog. Menu do dia com direito a sopa de aspargos, spaguetti com mariscos, vinho e sobremesa (preço: 3.700 pesos chilenos); comida árabe; o melhor sashimi de salmão do mundo (por que será?); mil sushis diferentes; e um sunday roast chicken feito por um inglês que conhecemos no hostel. Ufa! Mas não, não, eu não estou alguns quilinhos mais gorda…Não foi dessa vez.

monastério da igreja de san francisco

monastério da igreja de san francisco

 

cor de rosa e carvão

cor de rosa e carvão

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Lua cheia, um bom vinho e as termas de Pucon

escrito em 8 de junho

Minha estadia e da Monia em Pucon (sim, nos reencontramos) estava chegando ao fim no domingo e decidimos ficar mais um dia. Decisão acertada, porque o dia foi ótimo. Fizemos um passeio à tarde e à noite fomos às termas Los Pozones (eu já havia ido outra vez com dois cariocas que conheci no bus azulzinho). À noite elas ficam ainda mais legais e melhores ainda com as companhias divertidas que tive. Monia, um casal de australianos que acampou no Fitz Roy, uma holandesa de 18 anos que está viajando sozinha, uma americana que decidiu percorrer o Chile a pé, e Marcelo, um paulista que ficou três semanas em Torres Del Paine fazendo trabalho voluntário. Levamos sanduíches, chocolates e vinho para nos esquentaremos e admirarmos a lua cheia. Foi ótimo. Um dos pontos altos da viagem. Pucon vai deixar muitas saudades. Estamos indo para Santiago. Escrevo de dentro do ônibus, também em boa companhia (Marcelo, Monia, os dois australianos e dois israelenses que conheci em Bariloche e reencontrei por aqui).

backpakers in pucon

backpakers in pucon

backpakers and the backpacks

backpakers and the backpacks

backpakers going to santiago

backpakers going to santiago

backpakers bus

backpakers bus

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No topo do vulcão

Nada do que eu vivi até agora nesta minha viagem se compara ao que eu fiz naquele sábado, 06 de junho. Acordei às 5h30 da manhã para às 8h estar aos pés do vulcão Villarrica (2.840m), em Pucon. Ali começaria a escalada. Eu e um grupo de mais nove pessoas e três guias vestimos nossas roupas especiais e rumamos vulcão acima.

 É difícil, muito difícil descrever tudo o que eu vivi naquelas oito horas e meia, entre a subida e a descida do vulcão. Fiz algo que eu achei que nunca seria capaz de fazer. Superei os limites que eu achava que tinha e vi que sim, é bem possível seguir em frente quando a gente quer. A caminhada foi longa e muito dura. Na primeira metade, uma íngreme subida por caminhos de pedra e areia. Duas desistências. Duas horas e meia depois, começamos a nos preparar para a escalada no gelo; mais uma desistência. Grampões nas botas, capacete, luvas especiais, estaca para o gelo. Para caminhar é preciso fincar os pés com força e usar o tempo todo a estaca. “Se escorregarem, mantenham a estaca junto ao corpo e finquem no gelo para poder parar”, nos ensinou o Wildo, o primeiro dos três guias. Acabou que não precisamos fazer isso, porque ninguém caiu. As horas foram passando e começamos a parar no caminho a cada meia hora, para descansar, comer e admirar a vista que, conforme íamos subindo, ia ficando mais bonita. Os 15 minutos finais foram os mais tensos. Muito vento e abismos de dar medo. “10 minutos agora”, gritou o Wildo. É nessa hora que o coração começa a bater mais forte e a adrenalina chega a mil. Agora faltavam mais cinco passos e, um atrás do outro, fomos chegando ao topo. Eu não acreditei. Não acreditei que havia, depois de seis horas, conseguido chegar até lá em cima e que estava ali, na cratera de um vulcão. Foi a emoção mais legal que tive, meus olhos se encheram de lágrimas só pelo simples fato de eu ter sido capaz de chegar até em cima. É uma coisa tão fantástica que você demora para assimilar. Do alto pude ver lagos, montanhas e os vulcões Llaima (3.125m), um dos mais ativos do Chile, e o Lanin (3.776m), na fronteira com a Argentina. O dia não poderia ser melhor; nenhuma nuvem no céu. Nessa época, muitos grupos não conseguem chegar ao topo devido às condições climáticas.

uma hora e meia de caminhada

uma hora e meia de caminhada

início do gelo. wildo e eu

início do gelo. wildo e eu

Foi uma vitória para mim. Mas ainda tínhamos a descida pela frente. E ela não seria fácil. De fato não foi. Foi quando pensei: que loucura que eu fiz!. O Wildo e o Henrique, o segundo guia, me ajudaram a descer. Eu estava exausta e com medo, mas muito, muito feliz e realizada. Valeu cada gota de suor derramado, cada pontada de dor nos dedos dos pés, as mãos inchadas, o medo, o cansaço, os lábios rachados pelo vento. Foi a melhor coisa que fiz na minha vida. Foi a melhor sensação de liberdade que tive. Foi o dia em que eu realmente pude dizer: não me arrependo nem por um minuto de ter deixado tudo o que eu tinha no Brasil para botar o pé na estrada.
consegui

consegui

lanín ao fundo

lanín ao fundo

Mais

Pucon é uma cidade encantadora, aos pés do vulcão Villarrica (2.840m). Esta, sem dúvida, é a maior atração do lugar. Mas também há lagos, rios, outros parques nacionais e muitas termas (por ser uma região de grande atividade vulcânica).

Para ir aos parques nacionais e às termas, pode-se pegar um dos micro-ônibus azuis, que eu adoro. É muito melhor do que comprar os tradicionais tours. A paisagem até os lugares também compensa, é bastante rural.

Para subir o Vulcão, contrate uma das muitas agências da cidade. O preço fora de temporada fica na média de 30.000 pesos. As agências fornecem todo o equipamento necessário: roupas térmicas, mochilas especiais, capacete, gorro, luvas, grampões e estaca. Eu fui pela Backpakers, que fica ao lado do terminal de ônibus da empresa Jac.

Existem muitos hostels e hospedarias familiares em Pucon. O refúgio Península é o hostel mais confortável e é da rede HI. Fica na região mais nobre da cidade, a 100m do lago Villarrica. Os quartos compartilhados têm banheiro privativo e TV a cabo. A diária com café da manhã é 10.000 pesos fora de temporada.

O Backpakers (do mesmo dono da agência) é bem central e aconchegante. É onde a maioria dos mochileiros fica e custa 5.000 em quarto compartilhado sem café da manhã. Fiquei nos dois e recomendo o segundo, não só pelo preço, mas pela hospitalidade. O Cláudio, dono do lugar, é uma pessoa excepcional. Foi o lugar que eu mais me senti em casa nessa viagem. No sábado (6 de junho), o Chile jogou e ganhou do Paraguai pelas eliminatórias da copa e foi uma festa no hostel.

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Um pouco de falta de sorte em Chiloé

Deixei minha mochila cargueira com o Andreas, o dono do hostel Casa Azul, e embarquei em mais um ônibus, agora para Chiloé. Chiloé é uma ilha no pacífico, mas bem perto do continente. Pode-se chegar de balsa. Minha primeira parada foi Ancud, logo na parte norte. Conheci a cidade em uma tarde e me encantei com as casinhas tejuela bem antigas. Não tão conservadas como as de Frutillar, mas muito, muito charmosas. Era hora de rumar para o sul, deixando para trás as pulgas que peguei no hostel da cidade. O segundo dia me reservava Chonchi. De Chonci escrevo. O povoado, confesso, não me atraiu muito. A hospedaria (Esmeralda) foi indicação do Lonely Planet e do guia local; é velha e sujinha, mas fica de frente para a baía. Eu cheguei aqui e tive vontade de pegar um ônibus para qualquer lugar logo em seguida. Mas fiquei. Ficando pude bater um papo com o dono, um canadense que adotou Chonchi como seu lar há 10 anos. Aqui construiu uma vida, entre negócios e política. Eu, aqui, tenho a impressão de estar parada no tempo. Não sei se isso é bom ou ruim. No momento não estou gostando muito. Chiloé, no meu ponto de vista, parece não existir entre os meses de abril e setembro. É calma, os preços são mais baixos (acabei de jantar um prato enorme de merluza com batatas fritas por 2.500 pesos), mas não há muito o que fazer. Fora o tempo, que não ajuda muito. Se tiver que escolher, escolha vir no verão. Certamente é bem mais proveitoso.

vista da baía de ancud

vista da baía de ancud

casa de tejuela

casa de tejuela

forte de ancud

forte de ancud

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Colonização alemã na região dos lagos

Puerto Varas fica na região dos lagos chilenos, a vinte minutos da movimentada Puerto Montt. É praticamente na altura de Bariloche e é possível fazer uma navegação, que inicia no Lago de Todos Los Santos, em Petrohué (cidade vizinha a Puerto Varas), e acaba no Nahuel Huapi, em Bariloche. Ou vice-versa. Os preços são salgados, mas fora de temporada pode-se encontrar mais em conta.

Puerto Varas é uma graça, mas eu também queria conhecer as outras cidades da região. Llanquihue, Frutillar, Petrohué e Puerto Octay também estão às margens do lago Llanquihue e para conhecê-las basta pegar um dos muitos micro-ônibus que circulam pela região. Eles são azuis, pequenos, te deixam em qualquer lugar e a tarifa é bem em conta. Peguei um deles para Frutillar, com uma breve parada em Llanquihue. A cidadezinha de Frutillar é dividida em duas: Frutillar Alto, onde mora a maioria da população e onde tem o comércio popular, e Frutillar Baixo, turística, as margens do lago. Desci em Frutillar Alto e fui caminhando até a Baixa. São quatro quilômetros. Toda essa região tem colonização alemã, mas Frutillar conservou melhor as suas raízes. As casas são feitas com tábuas sobrepostas (tejuelas), muito bem conservadas, lindos jardins com flores e grama bem cuidada, tudo colorido. É um lugarzinho de sonho, que a cada esquina reserva mais uma e outra surpresa. Uma delícia. Fiquei imaginando como é acordar todo dia e ver o Osorno pela janela. Eu não pude ver, uma das frustrações que vou guardar. O dia estava nublado, havia uma névoa no ar….Mesmo assim, vale a pena dormir uma noite lá. Os preços são mais altos do que os de Puerto Varas, mas pesquisando pode-se encontrar diárias por 9.000 pesos com café da manhã (fora de temporada, claro). Mas escolha um dia bonito, para poder admirar o lago e o vulcão logo atrás dele. Isso não cansa.

A escolha do segundo dia foi Petrohué. A cidade fica bem pertinho do Osorno (Frutillar fica na outra margem do lago, bem em frente ao vulcão). O dia estava um pouco mais bonito e o micro-ônibus me deixou no Parque Nacional Vicente Perez Rosales, bem na entrada dos Saltos de Petrohué. Trata-se de quedas d’água cor de esmeralda. Inacreditavelmente lindas. O mesmo onibuzinho me deixou, uma hora depois, em Ensenada, povoado da região, e meu almoço foi na beira do lago com vista para o vulcão. Ainda fui conhecer a Laguna Verde e tentei chegar mais próximo ao Osorno, mas não há ônibus de linha para lá nesta época do ano. Há algumas excursões, mas como a procura é pouca, então às vezes elas nem saem. E eu também não sou muito fã de excursões. Em Puerto Varas, procure o centro de informações turísticas em frente à praça. Mesmo não chegando próximo ao vulcão, valeu a pena.

frutillar com vista para o lago. com o tempo bom é possível ver o osorno

frutillar com vista para o lago. com o tempo bom é possível ver o osorno

casa típica alemã

casa típica alemã

saltos de petrohué com o osorno ao fundo

saltos de petrohué com o osorno ao fundono meio da estrada

 
Mais…

Essa região é famosa pela produção de leite e derivados. Há muitos produtores rurais. As chácaras são uma graça, para todo lugar que se olha há vaquinhas e ovelhas. Há, inclusive, uma fábrica da Nestlé em Llanquihue.

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