Vida mendocina


Mais uma vez a sorte estava do nosso lado e cruzamos, Monia e eu, a fronteira Chile/Argentina um dia antes dela fechar. Saímos de Santiago às 10 da manhã rumo a Mendoza. A travessia é feita pelos Andes e dessa vez, sim, pude curtir o caminho (Bariloche/Puerto Varas eu dormi). É uma estrada linda, que corta a cordilheira na região em que ela é mais alta. É uma subida sinuosa que chega a quase 3.500 m de altura. E eu, que ainda não cansei de ver montanhas, olhava para fora da janela do ônibus extasiada. Quando começa a descida, a paisagem muda e as montanhas nevadas dão lugar a morros de terra colorida. É um sinal de que nos aproximamos de Mendoza, uma região desértica e propícia para o cultivo de uvas e, é claro, para a fabricação dos melhores vinhos argentinos.

subida dos andes de ônibus

subida dos andes de ônibus

A cidade fica colada aos Andes, toda a água consumida vem dos rios formados pelo degelo das montanhas. Em 2002, ficou pronto um dique que ajuda a região no abastecimento. Aqui praticamente não chove; os mendocinos têm 300 dias de sol por ano. As tempestades de neve, que ocorrem constantemente no inverno, ficam somente nas montanhas e fecham frequentemente a fronteira (desde que estou aqui – cheguei no dia 15 – ela esteve fechada por sete dias). Essas nevascas, às vezes, trazem o zonda, um vento quente que vem do pacífico e que causa muitos estragos (destelhamento de casas, queda de árvores, etc…). Quando ele está passando as temperaturas se elevam muito e, depois, baixam drasticamente. Ele passou por aqui no dia 19 e a temperatura chegou aos 28 graus. No dia 20, meu aníver, ela baixou para 5.

estrada que liga a argentina ao chile. fechada pela neve (eu havia passado por ela quatro dias antes)

estrada que liga a argentina ao chile. fechada pela neve (eu havia passado por ela quatro dias antes)

Fora isso, aqui o sol brilha alto e sol alto é motivo para cavalgadas, passeios de bike pelos vinhedos de Maipú (imperdível), caminhadas no parque San Martin e voltas pelo centro. E aulas de espanhol… Eu fiz tudo isso e estou curtindo muito a cidade. Monia passou seis dias aqui e seguiu para o norte. Eu fiquei. E já estou entrando no ritmo mendocino. Mendoza é a quarta maior cidade da Argentina, mas a impressão que dá é de que é uma simples cidade do interior. Aqui tudo é devagar: é só sair pelas ruas às 3 horas da tarde de um dia comum de semana para constatar. Não se vê quase ninguém e o comércio está todo fechado. É a famosa siesta, que começa a 1h30 da tarde e vai até às 4h30. Essa é a melhor hora para dar um pulinho no parque (o maior e mais bonito que conheci), no zoológico (lindo e muito bem organizado), ou ficar de papo para o ar no hostel (como estou fazendo agora, escrevendo e comendo…).

caminhos do vinho em maipú

caminhos do vinho em maipú

cavalgada em tupungato (mirante de estrelas), valle del uco

cavalgada em tupungato (mirante de estrelas), valle del uco

Mais…

– Mendoza é uma parada imperdível no roteiro argentino. Nem que seja por poucos dias. Há milhares de coisas para fazer, contrariando o que muitos mochileiros dizem…

– A região tem milhares de vinhedos (bodegas), que incluem famosas, como a Catena Zapata, e familiares. A melhor forma de conhecê-las é alugando uma bike, escolhendo um roteiro e ir parando para os tours e as degustações. É só pegar um ônibus no centro da cidade, descer em Maipú e lá alugar a bicicleta. O aluguel na empresa do Mr. Hugo (um senhor muito simpático) custa 25 pesos (full day). A experiência é válida para conhecer um pouco mais sobre os vinhos mendocinos (muitos famosos no mundo pela variedade Malbec), pedalar por entre álamos e plátanos (que nesta época estão com as folhas amarelinhas) e ,de quebra, curtir os Andes ao fundo. Ah, e é claro, beber e pedalar. Uma ótima combinação (mas se o camarada beber demais, o Mr. Hugo vai resgatar…).

– Outra coisa legal para fazer nessa época do ano é esquiar. Além de Lãs Leñas, o centro de esqui mais famoso da Argentina, há também Penitentes e Vallecitos, mais baratos e próximos da cidade. Eu ainda não fui…estou querendo ir esta semana.

 – Mais atividades ao ar livre: cavalgadas pelo Valle del Uco, trekking na cordilheria, rafting, parapente…as opções são muitas. Escolha uma ou faça todas!

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3 Comentários

Arquivado em Pelo mundo

3 Respostas para “Vida mendocina

  1. Aldemir

    Ahhhh Mendoza Mendoza…..pena que não vou conseguir incluir no roteiro dessa vez, lugar lindo! Parabéns pelo relato.

  2. Sandra

    Olá, vc viaja sozinha? Otimo blog! [ ]’s

  3. Marja

    É Renata… explorando os horizontes… é isso aí!! É bom fazer essas coisas, né? Sair por aí sem rumo..hehe..mas eu fui mais acomodada… peguei carona em navios pra conhecer os lugares. Eles me ditavam os roteiros, mas pra quem nao conhecia nada de lá, era bom demais!

    Admiro pessoas como vc e meu irmao que vao na cara e na coragem… sinceramente, acho que nao tenho esse espírito desbravador em mim, sou mais contida, mais conservadora. Será que é a velhice? rsrs

    Toda sorte do mundo pra vc! Continue com suas andanças inesquecíveis, suas fotos lindas e suas lembranças únicas!

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