Norte das mil cores


Minha viagem pela Argentina ainda não havia acabado. A maioria dos mochileiros vai a Salta e, de lá, direto para San Pedro de Atacama, no Chile. Patrícia e eu resolvemos subir um pouco mais, para a província de Jujuy. Escolhemos a pequena cidade de Tilcara, a mais ou menos 80 quilômetros da capital, para nos hospedar. Por que? Simples. Em Jujuy fica a quebrada mais famosa da Argentina, a de Humahuaca. São montanhas coloridas cortadas por vários rios (apesar de ser época de estiagem e os rios estarem praticamente sem água). Tilcara é uma cidadezinha muito simpática e cheia de turistas. Tem um ar meio alternativo. Além dos locais, muitos artesãos se instalaram lá e fazem da arte a sua forma de sustento. É super comum ver músicos sentados animadamente tocando instrumentos no coreto da praça. Mas a cidade, ou vila, mais charmosa é Purmamarca, talvez a mais famosa da região. É lá que está o Cerro de los Siete Colores. As casinhas antigas, muitas de adobe, a praça, a igrejinha e o cemitério parecem parados no tempo embaixo dessa montanha cheia de cores. É fantástico. Me lembrou aquelas garrafinhas com areia colorida que a gente compra na praia. Parece que alguém foi depositando, uma por uma, terra roxa, azul, vermelha. O fenômeno é resultado de formações que se iniciaram ha mais de 75 milhões de anos. Uma pena que escolhemos um dia atípico para visitar. Aconteceu uma tempestade de areia super incomum em toda a região, que escondeu o sol e nos cobriu inteirinhas de poeira. Acho que ainda deve restar alguma coisa no meu cabelo. Voltamos para Tilcara à noite e, logo depois, a cidade ficou às escuras. As vendinhas todas acenderam velas, gente com lanterna pelas ruas e o céu estrelado mais lindo que já vi, já que à noite a poeira baixou. Era um anúncio de como seria o meu último dia na Argentina.

tilcara

tilcara

cerro de los siete colores em purmamarca durante a tempestade de areia

cerro de los siete colores em purmamarca durante a tempestade de areia

Mais:

– Aqui, como já disse no outro post, os costumes parecem ser mais parecidos com os bolivianos. Não se vê mais o mate (chimarrão) por todos os lados e, sim, gente mascando folha de coca todo o tempo.

– Se eu havia me decepcionado com o ônibus que nos levou de Córdoba a Salta foi porque eu ainda não conhecia os ônibus do norte. De San Salvador de Jujuy (capital da província de Jujuy) saem ônibus para todas as cidadezinhas da região. São veículos que não se sabe exatamente como ainda estão em funcionamento. São velhos, barulhentos, desconfortáveis e lotados. É um fazendo lanchinho, outro com quinze sacolas, paradas mil pela estrada. Ufa…mas tudo faz parte da experiência e no final até que foi divertido.

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