Salta, la linda, no caminho dos incas


As pessoas, os costumes , as paisagens…tudo muda quando se chega ao norte. Cheguei a Salta no dia 14 de julho. Uma cidade de médio porte, 500 mil habitantes, cheia de história. No século XV, a região foi caminho para os incas, que saíram de Cuzco rumo ao sul passando pela Bolívia, Argentina e Chile; e em direção ao norte, cruzando o Equador até chegar à Colômbia.

cabildo

cabildo

Eu já havia passado por lugares onde os incas estiveram, Mendoza foi um deles, mas em Salta é tudo muito mais vivo. Eles chegaram, colonizaram os povos da região e espalharam as tradições, crenças e o idioma quéchua. Para eles, as montanhas eram consideradas uma proteção e, por isso, construíram lugares sagrados em várias delas, os chamados adoratórios de altura. Na província de Salta, no cume do vulcão Llullaillaco (6.739m), foram encontradas, em 1999, três crianças incas mumificadas. A mumificação de crianças acontecia como forma de adoração à natureza e eram escolhidas, entre todo o Império Inca, as mais bonitas e de famílias abastadas. Hoje, elas estão expostas no Museu de Arqueologia de Alta Montaña, em Salta. Foi a primeira atração que Patrícia e eu fomos visitar na cidade. É impressionante. Vimos a Niña del Rayo, de seis anos de idade.

praça 9 de julho

praça 9 de julho

Ainda tínhamos muita coisa para ver. E embarcamos em duas excursões, uma para a cidade de Cafayate, 180 quilômetros distante de Salta, e outra para Cachi, 130 quilômetros. A principal atração de Cafayate são as bodegas. O lugar se destaca pela produção da variedade de vinho branco Torrontes. Eu não conhecia; provei e não gostei muito. No caminho, fui presenteada com uma paisagem bem diferente das que estava acostumada a ver. Montanhas de pedra esculpidas pelo vento, clima árido e muitas quebradas (um vale estreito). No caminho para Cachi, chegamos a 3.348 m de altura, subindo por uma estradinha sinuosa cercada por montes. A cidade fica a 2.400 sobre o nível do mar, então descemos um pouco e pudemos conhecer o Parque Nacional Los Cardones, o segundo maior parque de cardones (uma espécie de cactos) das Américas. Eles são enormes! Nos primeiros cinquenta anos de vida, esses cactos crescem de 5 a 10 milímetros por ano. Depois que passam dessa idade, aceleram o crescimento. O que valeu da ida para a Cachi foi, sem dúvida, o percurso, que ainda incluiu ainda o Nevado de Cachi (6.300 m) e a vila de Payogasta.

cafayate

cafayate

 

parque nacional los cardones

parque nacional los cardones

Mais:

– Salta é o maior produtor de tabaco da Argentina. Por isso, se pode fumar em todos os lugares públicos. Até o ano passado era permitido acender um cigarro, inclusive, nos saguões dos hospitais. A proibição aconteceu esse ano.

– O trânsito é maluco. Observei o mesmo em Mendoza e Córdoba, mas aqui é demais. Não há quase sinaleiros e preferenciais não existem. Os carros avançam nos cruzamentos sem olhar e se um pedestre estiver na frente, eles passam por cima mesmo.

– A cidade fica num vale, entre a sub e a pré-cordilheira dos Andes, e é muito antiga, foi fundada em 1582, e como todas as grandes cidades de colonização espanhola, gira em torno da praça matriz (nesse caso 9 de julho), que tem o Cabildo de um lado e de outro a Catedral.

– Salta é a capital da província de mesmo nome. A província, junto com Tucumán, Jujuy, Catamarca e Santiago del Estero formam o norte da Argentina. É partir daqui que se pode ver que muito da cultura e dos traços do povo se assemelham à Bolívia.

– Patrícia e eu fcamos no hostel Los Cardones, que é bem simples, mas confortável e bem localizado. A cozinha é horrível, o que nos obrigou a comer fora todos os dias. Se quiser ir a Salta, não se hospede nunca no Hostelling International de lá. São três: Backpapers home, soul e city. São os mais caros e o atendimento é péssimo.

– É da capital salteña que sai o Tren a las Nubes, famoso por percorrer 217 quilômetros até Santo Antonio de Los Cobres. Passa por quebradas, montanhas e chega a 4.200 metros de altitude. A minha primeira ideia quando resolvi conhecer Salta era pegar o dito trem. Ingenuidade a minha, nem sequer entrei no site para reservar a passagem. Resultado: não havia mais lugar para o mês de julho inteiro. Menos mal, porque a passagem custa 140 dólares.

 

 

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