Arquivo do mês: agosto 2009

Peru. Primeira parada: ilhas flutuantes

Foram 18 dias na Bolívia, uma país com belezas naturais incríveis, mas muito confuso. Eu cansei um pouco. Gente mal educada, ruas imundas, buzinas. Mas valeu cada lugar que visitamos, principalmente o tour pelo salar, Sucre e a Isla del Sol.

Um barquinho, uma lancha e um ônibus depois, estávamos no Peru. Em Puno, que fica em uma das margens do lago Titicaca. Lá, passaríamos somente algumas horas para conhecer as famosas ilhas flutuantes, onde vivem os índios Uros, que são construídas com uma espécie de palha chamada totora. Num passeio bem turístico, fomos ao conjunto de ilhas para ver como esse povo vive por lá. É incrível. Tudo feito de totora: chão, casas, cama. As ilhas ficam flutuando no lago. Para manter tudo em ordem, os índios colocam novas camadas da planta no chão a cada semana.

a ilha

a ilha

a cama

a cama

O povo que vive lá está super acostumado a receber turistas. Cantam, dançam, mostram suas casas e vendem artesanato. Tudo com um sorriso no rosto e uma simpatia sem igual. Conhecemos a casa de Luis e Maria, dois jovens que se casaram há pouco tempo e têm um filhinho de seis meses. Vivem em uma das cabanas de uma das muitas ilhas. Além deles, moram mais oito famílias nessa ilha. A cabana é pequena e simples. De móvel, apenas uma cama feita de totora, muito confortável por sinal. Luis nos contou que os Uros vivem basicamente da pesca e do artesanato. O turista que quiser, pode passar uma noite por lá para conhecer um pouco mais da cultura e dos costumes do povo. Nós voltamos para a terra firme e pegamos um ônibus direto para Cusco.

a garotinha

a garotinha

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O barquinho de don Alfonso

Pois bem, dormimos uma noite no refúgio e no outro dia cedo don Alfonso nos levaria de barco à parte sul da ilha. Um barquinho de madeira, com remo e uma vela improvisada. A viagem levaria duas horas, mas levou menos porque don Alfonso usou toda a sua força para remar. Contornamos uma parte da ilha e vimos vilazinhas e ainda mais beleza. A Cordilheira Real parecia estar mais próxima de nós. Mas o que valeu mesmo foi poder conversar um pouco mais com essa figura rara. Alfonso nasceu na ilha mesmo e chegou a morar em Copacabana e em La Paz, mas nos dois lugares, segundo ele, as pessoas não gostavam de compartilhar as coisas. “Sempre pensam no dinheiro”. Então voltou e, há nove anos, mantém o refúgio. Desde então abre as portas do lugar e também da sua casa para gente do mundo inteiro. O boca a boca é a sua maior e melhor propaganda. Ele conta empolgado que a sua ideia já está sendo posta em prática também na França e na Espanha.

 

nosso quartinho

nosso quartinho

Don Alfonso mora ali mesmo, numa casinha com a mulher e os cinco filhos. Há outras três casas no terreno, onde vivem sua mãe e dois irmãos com as respectivas esposas e filhos. São 14 crianças no total. Adorei conhecer esse simpático homem que remou, remou e remou para nos levar ao outro lado da ilha.

don alfonso, patricia e o barquinho

don alfonso, patricia e o barquinho

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O chuveiro de don Alfonso

Pegue uma garrafa pet cheia de água, que ficou no sol por vários dias, uma latinha furada, um tanque de água improvisado e um cano. Junte tudo. O que sai disso¿ O chuveiro de don Alfonso. Sim, se você quiser tomar banho no refúgio tem que encarar um chuveiro improvisado. Mas tem que ser de dia pois, como don Alfonso mesmo define, ele capta os raios solares. E olha que funciona, a água é quentinha. Mais uma experiência diferente na Isla del Sol. Essa engenhoca merecia um post à parte.

o chuveiro fica aí dentro

o chuveiro fica aí dentro

as garrafas

as garrafas

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Don Alfonso mora no norte

Acordamos cedo e rumamos para o norte da ilha. São três horas de caminhada (sobe e desce, sobe e desce diversas vezes). A ideia era dormir uma noite por lá. Agora, além do nosso amigo luxemburguense, o Jacques, nos acompanhou Celso, um chileno de Valparaíso que mora na Ilha de Páscoa. O caminho é deslumbrante. A combinação do azul do lago, com a vegetação meio amarelada e as montanhas nevadas é algo surreal. Realmente impressionante. Não demoramos muito para descobrir que a parte norte da ilha é mil vezes mais encantadora e linda que o lado sul. É ainda mais rural, com vaquinhas, ovelhas e porquinhos andando tranquilamente pelas ruas, e pessoas sempre calmas e sorridentes. Um ano nosso parece passar em dez para um habitante da Isla del Sol.

burrinho do titicaca

burrinho do titicaca

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Nos informamos e parecia não haver barcos para voltar para a parte sul no dia seguinte, como queríamos, e chegar a Copacabana a tempo de tomar o ônibus das 13h30 para Puno (no Peru). Nosso plano de ficarmos uma noite nesse lugar mágico parecia que não daria certo. Eis que surge don Alfonso, dono de um refúgio, como ele mesmo chama, no alto de um morro, com vista para o lago e a cordilheira, e nos salva de ir embora naquele dia mesmo. “Eu levo vocês até o sul amanhã”, disse. “E quanto é”, perguntei eu. “Quanto vocês quiserem pagar”. Bom, o refúgio de don Alfonso foi uma indicação da Bia e do Gustavo e eles já haviam nos dito que era assim que as coisas funcionavam nas terras desse bom homem. Paga-se o quanto quiser. É no mínino curioso e fantástico uma pessoa que nasceu e se criou na Isla del Sol pensar dessa forma. Que as terras são de todos e devemos compartilhar o que temos. Uma experiência diferente para nós, que desde que chegamos só recebemos antipatia e cara feia da maioria dos bolivianos com que cruzamos, principalmente os prestadores de serviço. Uma lição assim num lugar pitoresco e fantástico. Um dos mais lindos que conheci nessa viagem.

vista do refúgio de don alfonso

vista do refúgio de don alfonso

 – É muito bom só sentar e admirar a paisagem. Seja da janela do quartinho simples do refúgio de don Alfonso, seja no alto de um morro cheio de ovelhas e llamas, seja sentada na areia do lago.

– Com o pôr-do-sol, o lago muda de cor. Estou vendo da janela do meu quarto agora. O azul dá lugar ao prata. Lindo!

anoitecer no norte

anoitecer no norte

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A fantástica ilha

Ver a Cordilheira Real e o nascer do sol da janela do quarto valeu o esforço de subir milhares de degraus até chegar ao topo da Isla del Sol. Um lugar encantador no meio do lago Titicaca. Chegamos de barco ao sul da ilha e eu não acreditei naquela paisagem que estava vendo. Um lugar difícil de acreditar que existe, com um povo que parece estar parado no tempo. E bem mais simpático do que os bolivianos das outras regiões pelas quais já passei.

 

vista da janela do hostal

vista da janela do hostal

 

roupinhas no varal

roupinhas no varal

 

cordilheira real ao fundo

cordilheira real ao fundo

 

mini cholita

mini cholita

Mais:

– A maioria dos turistas chega na parte sul da ilha e nem vai até o norte. O sul tem uma infraestrutura melhor, com muitas pousadinhas e restaurantes. Para chegar a eles, é preciso subir muito. Um caminho bem cansativo, já que a ilha fica a quase 4.ooom sobre o nível do mar. A maioria dos hostals e restaurantes não fica no topo e sim, no caminho. Aí, só se pode ver um lado do lago. Dica do casal Bia e Gustavo, subimos até o topo e ficamos no último hostal (cansativo, mas valeu a pena), pois pudemos ver o pôr-do-sol de um lado e o amanhecer do outro. Hostal Templo del Sol, 20 bolivianos por pessoa, quarto simples, confortável e quentinho.

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Chazinho às margens do Titicaca

As férias acabaram e nos preparávamos para voltar à louca La Paz. Uma van nos deixaria na cidade grande e então decidiríamos: mais uma noite em Laz Paz, conhecer Sorata ou ir direto à Copacabana¿

Como nenhuma viagem na Bolívia é tranquila, seja lá em que meio de transporte for, embarcamos em mais uma aventura. Optamos por pegar uma van mais nova, com menos passageiros e, por isso, teoricamente mais rápida. Se não fosse pelo motorista, que praticamente dormiu ao volante naquela estradinha sinuosa (lembrando que a estrada que passa carros não é a mesma das bikes. A das bikes costumava ser a principal, mas em 2007 foi inaugurada a nova rota, quase 100% asfaltada). E o cara mascava papel (não entendi o porquê), botava a cabeça pra fora da janela para pegar um arzinho, aumentava o volume do rádio…mas os olhos estavam vermelhos e quase cerrados. O resultado foi que nem conseguimos apreciar a paisagem, ficamos o tempo todo olhando o dito pelo espelho retrovisor interno. Vimos algumas ultrapassagens malucas, quase o choque de dois caminhões e decidimos: nossa jornada na Bolívia tinha que chegar ao fim. Optamos por esquecer Sorata, aos pés da Cordilheira Real e capital boliviana do trekking, o que nos tomaria no mínino dois dias mais. Seguiríamos direto para Copacabana. A van nos deixou em uma rua confusa de La Paz, bem longe do centro, e pegamos um taxi para o cemitério. Explico. Os ônibus para Copacabana saem de lá. Sorte. Chegamos e meia hora depois estávamos embarcando. Agora junto com Jacques, um menino de Luxemburgo (sim, isso mesmo!), que conhecemos ali mesmo no local onde param os coletivos. Sentamos comodamente nas nossas poltronas, seis ou sete pessoas no corredor, três crianças apertadas em dois assentos, uma mulher servindo suco para os familiares com o ônibus em movimento, um senhor vendendo livros de todos os tipos (como aprender verbos em quéchua e aymara era um deles) e…apareceu o Titicaca. Não sei se porque era sábado, mas na primeira cidadezinha às margens do lago, havia uma festa-procissão com cholitas enfeitadas, muita cor e as tradicionais fanfarras (eles amam isso aqui, nunca vi um país para gostar tanto dessas bandinhas). O problema é que o ônibus tinha que passar para continuar viagem e o negócio não foi fácil. Havia uma multidão assistindo e uma enorme quantidade de carros parados no meio da rua. Buzina um pouco, quase atropela metade do povo, tira uma fina de uma van, fica a um milímetro de bater em outro ônibus e, pronto, conseguimos sair da procissão. Depois, ainda atravessamos uma das partes do lago: passageiros num barquinho e ônibus quase afundando em uma balsa meio improvisada, mais meia hora e, enfim, chegamos a Copacabana. Nosso dia terminou com uma truta e um chazinho digestivo recomendado pelo dono do restaurante. Uma erva muito amarga que eu não conhecia. No meio da noite levantei três vezes para fazer xixi (Patricia duas), minha cama pareceu pegar fogo de tão quente e vi faíscas saindo da minha meia de lã de llama e alpaca. Acho que o chá de digestivo não tinha nada, me pareceu mesmo diurético e alucinógeno.

 

festa!!

festa!!

Mais:

– Copacabana tem esse nome devido à Virgem de Copacabana, muito cultuada na região. A cidade é tipo Aparecida do Norte no Brasil, muitos e muitos peregrinos vão para lá rezar e pegar promessas para a santa.

– A cidade é feia. Para turistas, é somente ponto de parada para seguir para o Peru e para visitar a famosa Isla del Sol, berço do Império Inca.

– Ficamos no Hostal Emperador, um pouco longe do lago e dos restaurantes turísticos, super simples e bem limpinho. 25 bolivianos por pessoa com banheiro no quarto. Para passar a noite, vale a pena.

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Férias em Coroico

Depois dessa descida de bike cansativa eu bem que merecia umas férias. Coroico foi, e está sendo, o lugar ideal para isso. Nos alojamos, Patricia e eu, num hotel que fica bem no alto da cidade. Tem uma vista incrível, sauna e piscina. Um luxo por uma diária de 75 bolivianos por pessoa. A rotina é acordar, tomar café da manhã no deck com vista panorâmica e descer para a piscina. Ontem apareceram três cariocas aqui e almoçamos com eles. Depois, mais piscina. Hoje, almoçamos num restaurante (Cafetal) que foi considerado pelo Lonely Planet, a bíblia dos gringos, como a melhor comida da Bolívia. A dona é francesa.

Aqui faz um calor bem brasileiro. Uma delícia. Descemos para a cidade só para comprar água e jantar. Estou ficando bem mal acostumada, juro que não quero sair daqui. Bom, vou tomar um banho…eu mereço depois de um dia cansativo na piscina.

Mais:

– Ao redor da cidade há muitas cachoeiras, piscinas naturais e comunidades bem rurais (inclusive um povoado negro). Pode-se chegar fazendo trilhas, de carro ou a cavalo. Pensamos em fazer umas trilhas por aí, mas nos disseram que seria muito perigoso para duas garotas sozinhas. Agências de turismo cobram, e cobram caro, para fazer qualquer passeio. Optamos por curtir o hotel. Um hotelzinho desses, acessível para mochileiras, só se encontra mesmo na Bolívia. A gente esquece até do mau atendimento.

 Pérolas bolivianas:

Estamos com rinite e fomos comprar lencinhos numa farmácia da cidade. A balconista era uma senhora de mais idade, que fazia tricô atrás do balcão. Cheguei e perguntei:

– Boa noite, a senhora tem lencinhos de papel¿

– Hum, acho que não, deixa eu ver.

(vi os lencinhos na vitrinezinha e disse):

– Tem sim, estão aqui, ó, e mostrei a ela

A mulher tentou pegar, começou a mexer dentro da vitrine, virou para mim e falou:

– Ai, olha, tá cheio de medicamento na frente, tá muito difícil para pegar, vai ali na outra farmácia.

Sem comentários…

Na mesma noite, entramos num restaurante para jantar. Já tínhamos ido lá, a comida é boa. Sentamos, pedimos os cardápios e veio o garçom:

– Não temos nada hoje, talvez mais tarde.

Não, não, não!!!!!!!!! Tem que ter muita paciência.

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