A cidade da prata


A estrada entre Uyuni e Potosi é bonita, mas é inteira de chão. É um sobe e desce entre montanhas que parece que não vai acabar nunca. Até que, no meio do nada, surge Potosi. No meio do nada é modo de falar. A cidade fica aos pés do Cerro Rico e foi fundada em 1545 por causa da grande quantidade de prata encontrada nas montanhas. Como em toda a América espanhola, os espanhóis chegaram e exploraram toda a riqueza da região. Nos séculos XVI e XVII, Potosi chegou a ser considerada a cidade mais rica do mundo, até algumas ruas foram pavimentadas com prata. Mas logo entrou em decadência pela extração desenfreada e pela exploração dos índios e crioulos. Ainda hoje, há muitas minas em funcionamento no Cerro Rico e as condições de trabalho são péssimas, não mudaram quase nada com o passar dos séculos. É tudo muito rústico e perigoso e a expectativa de vida dos mineiros é de 45 anos.

panorâmica de potosi com o Cerro Rico ao fundo

panorâmica de potosi com o Cerro Rico ao fundo

O passeio nas minas é uma das principais atrações turísticas de Potosi. Patricia foi e eu também gostaria de ter ido, mas passei mal no dia e acabei ficando pela cidade mesmo. Acabei tendo mais tempo para passear pelas ruas estreitinhas do centro histórico, que ainda conserva casas coloniais (algumas, uma pena, em muito mal estado) e igrejas imponentes. Eu não tenho esse número, mas acho que deve ser uma das cidades com mais igrejas na América do Sul. Em cada esquina há uma, e elas são lindas.

 

catedral

catedral

A atmosfera antiga misturada com a loucura que é a Bolívia me encantou. É gente por todos os lados, vendendo coisa na rua, fritando frango, carros buzinando a toda hora. Uma confusão. Adorei Potosi. Tanto que acabamos ficando quatro noites por lá.

 

rua

rua

Mais:

– A Bolívia é baratíssima. Ficamos num hotelzinho em quarto privativo com banheiro, televisão e calefação por 75 bolivianos por pessoa (1 dólar vale 7 bolivianos). Como não tínhamos cozinha, comemos fora todos os dias. Em bons restaurantes se come muito bem por 5 a 6 dólares por pessoa. Em birosquinhas se come até por 1 dólar. Tentamos um restaurante mega baratinho uma vez, mas a comida era muito ruim.

– Não há mercado em Potosi. Pelo menos eu não achei. Produtos de higiene, limpeza e comida são vendidos ou em birosquinhas, ou no mercado central (que vende frutas e carnes também) ou na rua mesmo. Detalhe: não há refrigeração. Vimos salsichas e iogurtes expostos junto com café, leite em pó, macarrão, detergente, papel higiênico e outros produtos.

feira

feira

– Perto do terminal de ônibus (na parte feia da cidade), Patricia e eu achamos uma feira muito curiosa, que vende de tudo. Barraquinhas de produtos alimentícios e de higiene se misturam às de carne (bem limpinhas, por sinal), frutas, comida, roupas, ‘itens do Paraguai’ e eletrodomésticos.

ônibus cor de rosa

ônibus cor de rosa

– Os ônibus de linha são daqueles que eu adoro, iguais aos do Chile, mas de várias cores. E são todos japoneses. Menininhos ficam pendurados na porta gritando o itinerário e chamado as pessoas para entrarem.

– Fomos visitar a antiga casa da moeda boliviana, que hoje é um museu, e descobrimos que a Bolívia não tem mais casa da moeda. As moedas de 5 bolivianos são feitas no Canadá; as de 1 e 2 bolivianos, na Espanha; e as notas são impressas na França.

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