Quem morrer não ganha camiseta


La Cumbre-Coroico. Segundo os bolivianos, a estrada mais perigosa do mundo. De tão perigosa, virou atração turísitica e é roteiro obrigatório para gringos (e brasileiros) em busca de um pouco de aventura. Explico. Agências de turismo de La Paz vendem um “passeio” de bike que começa em La Cumbre, a 4.700m sobre o nível do mar e meia hora da capital boliviana, e termina em Coroico, uma cidadezinha a 1.700m de altitude que é a porta de entrada para a Amazônia boliviana. São 64 quilômetros downhill que iniciam na estrada principal, pavimentada e com carros e caminhões, e têm ao fundo montanhas nevadas e clima frio e seco; e continuam por uma estradinha estreita e sinuosa, de pedras, onde a paisagem é verde, florida, úmida, quente e com cheirinho de mata atlântica.

início

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primeira parte do trajeto: asfalto e paisagem seca e fria

primeira parte do trajeto: asfalto e paisagem seca e fria

Patricia e eu fomos conferir se a tal estrada da morte era realmente perigosa. Claro que, como nada é perfeito, tive um piriri na noite anterior e na manhã que precedeu a aventura. Resultado: passei as cinco horas da descida sem comer. Minha irmã disse que foi psicológico. Eu tenho certeza que foi o hambúrguer do Pollo Copacabana – fast food made in Bolívia – que comi. Enfim, consegui chegar a Coroico tranquilamente. Confesso que pilotar uma bike por caminhos sinuosos, de um lado um paredão de rochas e do outro um precipício enorme, deu bastante medo. Mas fui no meu ritmo e não tive nenhum arranhão. Digo isso, porque tem muita gente que cai e se machuca feio. E já ocorreram muitas mortes nessa brincadeira também. Pelo caminho, vimos algumas cruzes e placas homenageando os turistas que perderam o controle da bicicleta e caíram no precipício. Essa foi mais uma daquelas coisas que achei que nunca conseguiria fazer. Então, ganhamos a camiseta – é de praxe as agências darem uma camiseta aos sobreviventes: I survived the death road – e resolvemos ficar uns dias em Coroico mesmo, deixando para trás a loucura que é La Paz. Sábia escolha, porque a cidadezinha é uma graça. Fica no alto de um morro, com uma vista espetacular para a estradinha e para as montanhas cheias de flores e árvores.

Mais:

– A descida se faz através de uma agência. Escolha uma que ofereça uma boa mountain bike e equipamentos de segurança: capacete fechado, joelheira e caneleira. Muitas não têm isso. Se você cair pode se machucar feio. Eu recomendo a Vertigo (Melchor Jimenez, 839, próximo ao mercado das bruxas). Equipamentos e guias muito bons. A descida, incluindo café da manhã, lanchinhos e almoço num hotel, me custou 480 bolivianos.

– Coroico fica numa região chamada Yungas, que é floresta de montanhas. É a porta de entrada para a Amazônia da Bolívia e, por isso, tem o clima completamente diferente do de La Paz, apesar de estar bem pertinho da capital. Faz um calor danado, é úmido e cheio de mosquitos. Devo estar com mais de trinta picadas espalhadas pelo corpo. A cidade é conhecida pelas plantações de coca e banana.

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2 Comentários

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2 Respostas para “Quem morrer não ganha camiseta

  1. Giselle

    Se eu estivesse junto com certeza alguém teria se machucado….rsss. Aliás, acho que se eu estivesse acompanhando vcs na viagem suas histórias seriam bem mais “fiasquentas”…rsssss

  2. Meu!!!! depois que lí seu post pesquisei sobre esse passeio, coisa de doido!, eu vi umas fotos de um pessoal descendo com neve,
    parabéns pela coragem, o friozinho na barriga ao olhar o precipicio deve ser demais
    beijos

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