Chazinho às margens do Titicaca


As férias acabaram e nos preparávamos para voltar à louca La Paz. Uma van nos deixaria na cidade grande e então decidiríamos: mais uma noite em Laz Paz, conhecer Sorata ou ir direto à Copacabana¿

Como nenhuma viagem na Bolívia é tranquila, seja lá em que meio de transporte for, embarcamos em mais uma aventura. Optamos por pegar uma van mais nova, com menos passageiros e, por isso, teoricamente mais rápida. Se não fosse pelo motorista, que praticamente dormiu ao volante naquela estradinha sinuosa (lembrando que a estrada que passa carros não é a mesma das bikes. A das bikes costumava ser a principal, mas em 2007 foi inaugurada a nova rota, quase 100% asfaltada). E o cara mascava papel (não entendi o porquê), botava a cabeça pra fora da janela para pegar um arzinho, aumentava o volume do rádio…mas os olhos estavam vermelhos e quase cerrados. O resultado foi que nem conseguimos apreciar a paisagem, ficamos o tempo todo olhando o dito pelo espelho retrovisor interno. Vimos algumas ultrapassagens malucas, quase o choque de dois caminhões e decidimos: nossa jornada na Bolívia tinha que chegar ao fim. Optamos por esquecer Sorata, aos pés da Cordilheira Real e capital boliviana do trekking, o que nos tomaria no mínino dois dias mais. Seguiríamos direto para Copacabana. A van nos deixou em uma rua confusa de La Paz, bem longe do centro, e pegamos um taxi para o cemitério. Explico. Os ônibus para Copacabana saem de lá. Sorte. Chegamos e meia hora depois estávamos embarcando. Agora junto com Jacques, um menino de Luxemburgo (sim, isso mesmo!), que conhecemos ali mesmo no local onde param os coletivos. Sentamos comodamente nas nossas poltronas, seis ou sete pessoas no corredor, três crianças apertadas em dois assentos, uma mulher servindo suco para os familiares com o ônibus em movimento, um senhor vendendo livros de todos os tipos (como aprender verbos em quéchua e aymara era um deles) e…apareceu o Titicaca. Não sei se porque era sábado, mas na primeira cidadezinha às margens do lago, havia uma festa-procissão com cholitas enfeitadas, muita cor e as tradicionais fanfarras (eles amam isso aqui, nunca vi um país para gostar tanto dessas bandinhas). O problema é que o ônibus tinha que passar para continuar viagem e o negócio não foi fácil. Havia uma multidão assistindo e uma enorme quantidade de carros parados no meio da rua. Buzina um pouco, quase atropela metade do povo, tira uma fina de uma van, fica a um milímetro de bater em outro ônibus e, pronto, conseguimos sair da procissão. Depois, ainda atravessamos uma das partes do lago: passageiros num barquinho e ônibus quase afundando em uma balsa meio improvisada, mais meia hora e, enfim, chegamos a Copacabana. Nosso dia terminou com uma truta e um chazinho digestivo recomendado pelo dono do restaurante. Uma erva muito amarga que eu não conhecia. No meio da noite levantei três vezes para fazer xixi (Patricia duas), minha cama pareceu pegar fogo de tão quente e vi faíscas saindo da minha meia de lã de llama e alpaca. Acho que o chá de digestivo não tinha nada, me pareceu mesmo diurético e alucinógeno.

 

festa!!

festa!!

Mais:

– Copacabana tem esse nome devido à Virgem de Copacabana, muito cultuada na região. A cidade é tipo Aparecida do Norte no Brasil, muitos e muitos peregrinos vão para lá rezar e pegar promessas para a santa.

– A cidade é feia. Para turistas, é somente ponto de parada para seguir para o Peru e para visitar a famosa Isla del Sol, berço do Império Inca.

– Ficamos no Hostal Emperador, um pouco longe do lago e dos restaurantes turísticos, super simples e bem limpinho. 25 bolivianos por pessoa com banheiro no quarto. Para passar a noite, vale a pena.

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1 comentário

Arquivado em Pelo mundo

Uma resposta para “Chazinho às margens do Titicaca

  1. Giselle

    “de chá de digestivo não tinha nada, me pareceu mesmo diurético e alucinógeno”…Adorei isso. Mas conta o nome da erva, né? hahahaha
    Beijo…saudade!

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