Don Alfonso mora no norte


Acordamos cedo e rumamos para o norte da ilha. São três horas de caminhada (sobe e desce, sobe e desce diversas vezes). A ideia era dormir uma noite por lá. Agora, além do nosso amigo luxemburguense, o Jacques, nos acompanhou Celso, um chileno de Valparaíso que mora na Ilha de Páscoa. O caminho é deslumbrante. A combinação do azul do lago, com a vegetação meio amarelada e as montanhas nevadas é algo surreal. Realmente impressionante. Não demoramos muito para descobrir que a parte norte da ilha é mil vezes mais encantadora e linda que o lado sul. É ainda mais rural, com vaquinhas, ovelhas e porquinhos andando tranquilamente pelas ruas, e pessoas sempre calmas e sorridentes. Um ano nosso parece passar em dez para um habitante da Isla del Sol.

burrinho do titicaca

burrinho do titicaca

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Nos informamos e parecia não haver barcos para voltar para a parte sul no dia seguinte, como queríamos, e chegar a Copacabana a tempo de tomar o ônibus das 13h30 para Puno (no Peru). Nosso plano de ficarmos uma noite nesse lugar mágico parecia que não daria certo. Eis que surge don Alfonso, dono de um refúgio, como ele mesmo chama, no alto de um morro, com vista para o lago e a cordilheira, e nos salva de ir embora naquele dia mesmo. “Eu levo vocês até o sul amanhã”, disse. “E quanto é”, perguntei eu. “Quanto vocês quiserem pagar”. Bom, o refúgio de don Alfonso foi uma indicação da Bia e do Gustavo e eles já haviam nos dito que era assim que as coisas funcionavam nas terras desse bom homem. Paga-se o quanto quiser. É no mínino curioso e fantástico uma pessoa que nasceu e se criou na Isla del Sol pensar dessa forma. Que as terras são de todos e devemos compartilhar o que temos. Uma experiência diferente para nós, que desde que chegamos só recebemos antipatia e cara feia da maioria dos bolivianos com que cruzamos, principalmente os prestadores de serviço. Uma lição assim num lugar pitoresco e fantástico. Um dos mais lindos que conheci nessa viagem.

vista do refúgio de don alfonso

vista do refúgio de don alfonso

 – É muito bom só sentar e admirar a paisagem. Seja da janela do quartinho simples do refúgio de don Alfonso, seja no alto de um morro cheio de ovelhas e llamas, seja sentada na areia do lago.

– Com o pôr-do-sol, o lago muda de cor. Estou vendo da janela do meu quarto agora. O azul dá lugar ao prata. Lindo!

anoitecer no norte

anoitecer no norte

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4 Comentários

Arquivado em Pelo mundo

4 Respostas para “Don Alfonso mora no norte

  1. Maria

    Filha,

    é sempre uma delícia ler teus textos pois eles nos transportam para os lugares descritos. Sem falar do orgulho que sinto pela minha escritora.
    Beijos

  2. Juliane

    Lindas fotos, ótimo texto!!! Saudades, guria…

  3. LOLA

    Acompanhando o fantástico roteiro que vcs estão fazendo, o que me impressionou muito foi o encontro, com o grande filósofo, que, parecendo parado no tempo, nos dá essa linda lição de vida: “a terra é de todos e devemos compartilhar o que temos”!!! Isso é puro amor! Vó Emy

  4. LOLA

    Rê: é delicioso e tocante perceber como vc tem captado o que não apenas os olhos, mas o coração pode ver e sentir! E como o sábio Dom Alfonso conhece e expressa de forma tão clara a única forma possível de convivermos neste planeta… Será que um dia o mundo se transformará numa Isla do Sol?????? Lola

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