Arquivo do mês: setembro 2009

Cuenca: chapéus e história

Nós duas, José e Pedro, dois equatorianos que vivem na Espanha há mais de 15 anos, nos instalamos num hostel no centro histórico. Eles foram nossa companhia no trajeto e em Cuenca, uma cidade que conserva muitas construções coloniais, tanto que seu centro histórico foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1999. Além da história, que se vê em cada esquina do centro, Cuenca também é bastante conhecida pela produção dos chapéus Panamá, que na verdade não são panamenhos, mas equatorianos. Há muitas lojas super charmosas que vendem esse e outros tipos de chapéu. Mas são caros. Mais ainda porque a moeda do Equador é o dólar.

 

original

original

casas coloniais e catedral ao fundo

casas coloniais e catedral ao fundo

Mais:

– A dolarização no Equador aconteceu em 2000 (após uma intensa crise), quando o governo substituiu o sucre pela moeda americana. O processo acabou encarecendo muito os produtos e serviços no país e muita gente ainda reclama. As notas são todas americanas, mas o equador pode produzir moedas. Existem moedas equatorianas de 1, 5, 10, 25 e 50 centavos.

– Os chapéus Panamá são conhecidos por esse nome porque eram exportados pelo canal do Panamá e se tornaram muito populares entre os operários que o construíram. O material utilizado para sua confecção é uma palha fina que cresce na região de Guayaquil (maior e economicamente mais importante cidade do país e que eu não vou conhecer).

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Equador à vista!

23 de setembro. Cheguei ao Equador. A cidade na fronteira com o Peru, Huaquillas, é o lugar mais feio que conheci. Logo tomamos um ônibus a Cuenca, que nos tomou cinco horas de tensão. Uma estrada em péssimas condições, um ônibus bizarro, um motorista dirigindo a 120km por hora. Paradas e mais paradas. Vendedores e mais vendedores entrando a toda hora no veículo. Ufa que chegamos!

a bonita cidade de huaquillas e o ótimo ônibus que nos levou a cuenca

a bonita cidade de huaquillas e o ótimo ônibus que nos levou a cuenca

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Querido Peru

Passei mais de um mês no Peru. Um país cheio de contrastes, que hora eu amava, hora nem tanto. É uma bagunça, mas uma bagunça que eu aprendi a gostar. Me acostumei com aquela gente vendendo de tudo um pouco nas ruas, as buzinas dos carros, os ônibus em péssimas condições, as comidas baratas e às vezes não tão boas assim…

Cusco e a Cordilheira Branca ganharam meu coração. Me apaixonei por esses dois lugares e não sossego enquanto não voltar. Vou sentir saudades imensas desse país. Já estou sentindo.

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Sol e mar em Mancora

Mancora seria a última parada no Peru. Uma praia mais conhecida pelo seu astral do que por qualquer outra coisa. Há gente do mundo inteiro por aqui. Há quem esteja somente passando férias. Há quem chegue em busca das ondas e há os que param e vão ficando. E vendem artesanato para se sustentar. Uma coisa meio hippie. Foi bom descasar um pouco e pegar uma praia (estava com saudades), mas no quesito beleza os andes peruanos ganham por mil pontos das praias. O que valeu mesmo foi andar nos mototaxis da região e comer o menu de cinco soles dos restaurantes simples quase na beira da praia. Boa comida a preço de banana. Ah, e encontramos o francês Antoine novamente.

mar azul e calor...(e uma mancha bizarra nas minhas fotos)

mar azul e calor...(e uma mancha bizarra nas minhas fotos)

menu de cinco soles (menos de três dólares): arroz com camarões, salada e suco de maracujá

menu de cinco soles (menos de três dólares): arroz com camarões, salada e suco de maracujá

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Trujillo de adobe

Passamos poucas horas em Trujillo, na costa peruana. A ideia era visitar as ruínas de Chan Chan, uma cidade construída de adobe pelo povo Chimu. O reinado desses indígenas durou de 850 a 1470 DC e só terminou quando os Incas os conquistaram. Eles tinham a lua como Deus maior e viviam do mar. A pesca era seu principal sustento. Os restos arqueológicos de um dos templos (foram construídos muitos na região) foram reconstruídos e ainda hoje se pode ver sua imponência. Se for passar por Trujillo, vale a pena. É praticamente dentro da cidade e pertinho do mar. Nós duas fomos para lá com Antoine, um francês que conhecemos no trekking em Huaraz e que reencontramos por acaso em Trujillo, no meio da rua. Ele largou tudo na França e está viajando pelo mundo de carona.

corredor de chan chan

corredor de chan chan

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Parece o paraíso. Mas é preciso fôlego

Quatorze montanhas nevadas. Lagoas esmeralda e turquesa. Uma subida a 4.750m. Caminhada e vista de tirar o fôlego. Meu segundo trekking pelos Andes peruanos (o primeiro foi em Cusco) foi incrível. Vi paisagens que jamais imaginei ver. Passei um pouco mal, é verdade. Não sei se foi altitude, fome ou cansaço.

 

beleza no primeiro dia de trekking

beleza no primeiro dia de trekking

primeiro acampamento

primeiro acampamento

No segundo dia, o mais longo e difícil, achei que não ia conseguir. Com a mochila pesada nas costas, eu dava um passo e parava. Eram 13 pessoas no grupo – Patricia, eu, dois canadenses, um americano e oito europeus – e dois guias. Eu fiquei para trás. Lucas, um dos guias, me acompanhou durante todo o percurso e carregou a minha mochila. Só assim consegui chegar viva ao segundo acampamento. A noite caiu e trouxe chuva, muita chuva. Acordamos, Patricia e eu, assustadas, pois nossos sacos de dormir estavam encharcados. Foi aí que pensei em ir embora no terceiro dia (como a maioria do grupo iria fazer).

 

tentando subir (lucas e eu lá embaixo)

tentando subir (lucas e eu lá embaixo)

ponto mais alto

ponto mais alto

O tempo amanheceu horrível, mas decidi ficar. E foi a melhor coisa que poderia ter feito. Caminhamos até uma lagoa que parecia ter saído de um filme. Um glaciar gigante encostava nas águas azuis e fazia a paisagem ainda mais bonita. Aí arriscamos molhar os pés. Puro gelo. Mas valeu. Ainda caminhamos umas boas horas até o terceiro, e último, acampamento se deliciando com a paisagem. Nesse dia o grupo já estava menor: seis pessoas e o guia. Chegamos ainda era dia e caímos no rio para tirar a poeira e o suor. Claro que só as brasileiras se arriscaram, afinal a água não era das mais quentes. A Patricia aproveitou para perder as havaianas na correnteza. Ficou meia hora mergulhando de um lado para outro para tentar encontrá-las. Em vão. No quarto dia caminhamos somente três horas.

lagoa perfeita

lagoa perfeita

o rio que tomamos banho

o rio que tomamos banho

Um carro nos esperava no pequeno povoado de Cashapampa para nos levar de volta a Huaraz. Dias que vão ficar marcados na minha memória por terem sido uns dos melhores da minha viagem. Como eu adoro os Andes. Não queria que acabasse.

Despedir-me de uma cidade é sempre triste. De Huaraz foi mais ainda. Quando eu já me acostumava com aquela loucura toda, era hora de partir. Depois das três noites não muito bem dormidas nos acampamentos, outra quase em claro – porque também não somos de ferro e caímos na baladinha cumbia-reggaeton de Huaraz –, passaríamos duas noites seguidas em dois ônibus diferentes. Huaraz-Trujillo e Trujillo-Piura. Tudo para chegarmos a Mancora, uma praia super badalada do litoral norte peruano.

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Que cidade é essa?

Desde a primeira vez que vi fotos e li sobre a Cordilheira Branca decidi que seria parada obrigatória no Peru. A cidade base: Huaraz. A Cordilheira Branca é uma parte da Cordilheira dos Andes e tem mais de 20 picos acima dos 6 mil metros. O maior é a montanha Huascaran (6.768m), terceira da América do Sul.

praça de armas e a rua principal com as montanhas ao fundo. até que não parece que a cidade é feia...

praça de armas e a rua principal com as montanhas ao fundo. até que não parece que a cidade é feia...

Huaraz é um caos e tive que ficar de molho por lá durante três dias, me recuperando do ceviche do mal. Uma cidade muito feia, casas sem reboco, um rio imundo, lixo por todos os cantos, carros buzinando o tempo todo (ô povo que gosta de enfiar a mão na buzina). Em 1970 houve um terremoto que assolou a região e destruiu Huaraz inteira. Deve ser por isso que ela foi tão feiamente reconstruída. É uma confusão total, mas no final eu até que acabei me acostumando. Mas aí era hora de partir para um trekking de quatro dias perto das montanhas nevadas. E lá fomos nós.

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