Arquivo do mês: novembro 2009

Bocas vale a pena. Quando não está chovendo

Praia, sol e água cristalina. Era o que eu esperava em Bocas del Toro, um arquipélago no norte do caribe panamenho. Mas a chuva e o tempo nublado não deram trégua nos seis dias em que estivemos por lá. Nos hospedamos na Isla Colón, a maior e mais bem estruturada do lugar. Cheia de hostels, restaurantes e barzinhos. E o que fizemos na maior parte do tempo por lá foi comer e beber. Muito! O astral da ilha é legal e à noite todo mundo se encontra nos mesmos lugares. De dia, há milhares de opções de praias, as mais bonitas ficam na Isla Bastimentos. Aí que vem o problema: sempre se gasta dinheiro para tomar banho de mar e se jogar na areia. Ou se pega um barquinho para as outras ilhas ou uma van para o outro lado da Isla Colón. Tchau Panamá. Próxima parada: Costa Rica.

a praia

a baladinha

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Cadê o vulcão¿

As quatro mosqueteiras saíram da Cidade do Panamá numa noite chuvosa rumo ao interior do país. Longe do calor, perto das montanhas. A cidade escolhida foi Boquete (sim, isso mesmo, eu não escrevi errado). Lá dorme o vulcão Barú, a montanha mais alta do Panamá. Do topo dele, quando o dia está limpo, é possível ver os dois oceanos. E era isso que eu queria ver. Passamos quatro noites por lá, cidadezinha simpática, cheia de verde, flores (adoro) e cachoeiras, mas o tempo estava prá lá de ruim e a subida de seis horas até o cume deu lugar a passeios pela redondeza. Conhecemos gente legal por lá também, um americano parecido com o Salsicha (do Scooby) e um casal inglês que caça aranhas pelo mundo afora. Esse é um lugar que vale a pena dar uma passadinha (mas na temporada seca) e ficar no bom hostel Nomba.

ficamos pequenas perto da cachoeira

aniversário do salsicha. gisele, o próprio, eu, leslie (mulher do homem-aranha) e ju

Mais:

– Para chegar a Boquete de Cidade do Panamá, é preciso pegar um ônibus rumo a David. De lá, outro para a cidadezinha. Se você tiver sorte e pegar o motorista anos 80-90 (que coloca ótimas músicas no busão), ele pode te deixar na porta do hostel.

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O maior navio do mundo

Os cinco dias no paraíso acabaram e rumei para a Cidade do Panamá. Trânsito pesado, prédios e shoppings ao estilo americano e um centro histórico completamente caindo aos pedaços. Mas eu queria ver o canal do Panamá e comprar uma câmera nova. E assim foi.

Os franceses começaram as escavações para a construção do canal em 1881 e, logo, sem dinheiro e com várias baixas deram lugar aos americanos. A primeira navegação aconteceu em agosto de 1914, depois de terem sido removidos mais de 205 milhões de metros cúbicos de terra por milhares de operários vindos das mais diversas partes do mundo. Ligar os oceanos pacífico e atlântico não foi fácil…

Enquanto estivemos por lá, vimos um navio cargueiro enorme (o maior que vi na vida) passar por uma das eclusas. É interessantíssimo. As eclusas servem como ascensoras de água, que elava os barcos que vêm do Pacífico ao nível do lago Gatún (26m sobre o nível do mar), o que permite que eles cruzem a Cordilheira Central até chegar ao Atlântico e vice-versa. A operação com navios é lenta e minuciosa e os pedágios que as empresas pagam pela travessia podem chegar aos 200 mil dólares. As embarcações menores, como veleiros, atravessam mais rápido e pagam em média 800 a 2 mil dólares (Javier e Amanda querem fazer).

É realmente uma das grandes obras da engenharia mundial, que ficou sobre o comando dos Estados Unidos até dezembro de 1999. Talvez por influência americana, os panamenhos gostem tanto de ostentar a sua bandeira (que por sinal tem as mesmas cores da american flag). Estamos numa semana de feriados pátrios por aqui e o que mais se vê são bandeirões, bandeirolas, enfeitinhos e afins em casas, ruas e estabelecimentos comerciais do país.

E comprei minha câmera. Uma Canon SX20 IS. (as fotos foram tiradas com a velha)

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olha o navio se aproximando

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a eclusa se enchendo de água

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passou raspando na margem

Mais:

– O canal do Panamá liga o Pacífico (Cidade do Panamá) ao Atlântico (Colón) e tem cerca de 80 quilômetros de comprimento (é um dos pontos mais estreitos das Américas). Para isso foram construídas três eclusas. A que eu visitei foi a Miraflores, perto da capital.

– Para chegar lá até lá, basta ir até o terminal de ônibus de Cidade do Panamá e pegar um antigo ônibus escolar americano (sim, os coletivos são assim aqui. As velharias que não são mais utilizadas nos Estados Unidos vêm para cá) para Gamboa, Sumit ou Paraíso e perguntar se ele desce na eclusa de Miraflores. Custa 35 centavos de dólar. Um táxi cobra de 10 a 20 dólares.

– A entrada para estrangeiros vale 8 dólares (a moeda aqui, como no Equador, também é a americana) e dá direito a visitação no museu e ida ao mirante.

– Por conta do domínio dos Estados Unidos sobre o canal (que durou 85 anos), o Panamá e, principalmente a capital, são bastante americanizados. Me senti nos Estados Unidos em muitos lugares.

– Tivemos um contratempo na escolha de um lugar para ficar: Gisele, Juliana e eu fomos ao local indicado pela minha irmã e não gostamos. Saímos para decidir para onde iríamos e minha irmã chegou. Resolvermos ficar por ali mesmo, pelo menos por uma noite, e quando fomos subir novamente nos disseram que não havia mais lugar. O fato é que os donos fecharam a cara porque não sabíamos se íamos ficar ou não e resolveram nos expulsar, dizendo que éramos arrogantes. Houve um bate boca, tivemos que sair na chuva com todas as malas e encontramos outro hostel um pouco mais decente. (se você algum dia passar pela Cidade do Panamá passe longe do Zulys, o lugar da confusão). Na verdade, não recomendo nenhum hostel por lá. Ficamos no Balboa (mais ou menos e vazio) e tem também o Luna Castle (numa região péssima, mas cheio de gente).

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Na comarca de kuna yala

É fato que quando se vai a San Blás de barco é mais difícil conhecer a cultura local, que mesmo com tantas interferências ainda vive por lá. Os habitantes das mais de 365 ilhas do arquipélago de San Blás são os índios kuna. Eles governam o local, a comarca de kuna yala. Vivem do turismo, que tem aumentado muito nos últimos anos, e do artesanato. As mulheres kuna bordam tecidos coloridos para criar as chamadas molas. Interessante observá-las com suas roupas estampadas, lenços e miçangas que cobrem as pernas e braços. Sempre sorridentes, mas bem tímidas e arranhando o espanhol, elas passam de veleiro em veleiro,  a bordo de uma canoa, vendendo a arte que sabem fazer.

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canoa kuna

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mola feita pelas índias kuna

Mais:

– Há a opção de sair da Cidade do Panamá para chegar a San Blás. Aí é possível ficar em uma das ilhas em cabanas administradas por uma das muitas famílias kuna. Pode-se reservar pelos hosteis da cidade. O transporte sai por 50 dólares ida e volta e a hospedagem por 20 (incluindo três refeições).

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Por mar

Em Cartagena conheci duas brasileiras, Gisele e Juliana, e embarcamos juntas num catamarã rumo ao Panamá. A escolha do barco aconteceu bem por acaso. Existem milhares de veleiros que fazem a viagem de cinco dias até o arquipélago de San Blás, em terras panamenhas. Marquei um encontro com o capitão de um deles e enquanto esperava chegaram Amanda e Javier. A brasileira e o francês – que estão viajando o mundo – procuravam passageiros para fazer a travessia. Nos encontraram e ao irlandês Peter.

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paraíso

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mar aberto

Saímos de Cartagena na segunda-feira, 2 de novembro, e passamos incríveis cinco dias no mar. Os dois primeiros em alto mar, o barco mexendo sem parar, ondas, enjôos e um mergulho com tubarões (ok, ok, eu não vi nenhum, mas tenho certeza que eles estavam lá…). Os outros três nas águas turquesa do caribe das ilhas de San Blás. Ótima companhia, comida deliciosa, praias desertas com areias branca, mar cristalino e coqueiros, corais e peixinhos multicoloridos. Eu tive a sorte de ver uma arraia nadando ao meu lado por alguns minutos. Incrível. A passagem da América do Sul para a Central foi feita da melhor maneira possível. Estou cada vez mais longe de casa.

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javier, amanda, juliana, gisel, peter e o jantar com lagostas

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barquinho

 

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estrela no fundo do mar

Mais:

– Em Cartagena, um hostel simpático é o Hotel San Roque. Fica na calle Media Luna (onde estão a maioria dos albergues). É o último do lado esquerdo de quem vem da cidade amuralhada. 15 reais a diária em quarto coletivo e cada cama tem seu próprio ventilador.

– Para comer, existem milhares de restaurantes com menu (sopa, prato principal e suco) com preços que variam de 4 a 8 reais, numa rua perpendicular à do hostel.

– Colômbia-Panamá: barco ou avião. Não existem estradas ligando os dois países. Se a opção for a primeira, é legal escolher bem o meio de navegação. A maioria dos barcos são veleiros que vão apinhados de mochileiros (entre dez e vinte). Nós fomos no catamarã rebelle, um barco novinho que leva no máximo seis pessoas. (www.catamaracharterrebelle.com).

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Cartagena para sempre

Difícil descrever uma cidade tão cheia de contrastes como Cartagena. Calor de pés inchados, gente sorridente pelas ruas falando um castellano quase que indecifrável, prédios luxuosos contrastando com a beleza da cidade amuralhada e com a decadência e loucura do centro comercial.

São várias Cartagena em uma e foi impossível não se apaixonar por cada uma delas. Impossível não se deliciar comendo milho assado na rua, não sentar no banco da praça às três da tarde ou às quatro da manhã, não andar se equilibrando por cima da muralha imponente, não se perder pelas ruas da cidade velha olhando as casas de sacada espanhola, os artesanatos e as barraquinhas de livros.

Um lugar que me fez muito bem, que eu poderia passar dias e dias sem cansar, apesar do calor infernal. Um lugar cheio de gente interessante, mágico, especial. Impossível não se sentir, nem que seja só um pouquinho, dentro de um romance de Garcia Marques. Foi triste deixar a cidade. Mais triste do que normalmente é.

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