Arquivo do mês: dezembro 2009

Que gente simpática

Não foram somente os vulcões, lagos e praias da Nicarágua que me conquistaram. Principalmente, as pessoas. Gente simpática, sempre sorridente e que faz de tudo para ajudar. Foi assim desde a chegada, em San Juan del Sur, quando dois managuenses (seria isso¿) gentilmente me levaram até a porta do hostel onde eu me hospedaria e ainda me deram de presente um nacotamal (uma espécie de pamonha, mas que também leva carne de porco).

Foi assim em Léon, quando por causa de uma foto, um senhor ficou de papo comigo na rua e ainda me convidou para entrar em sua casa. Também em Chinandega, uma cidadezinha super interiorana e minha última parada na Nicarágua. A beleza de Manágua, a capital (extremamente suja e sem graça), também está nas pessoas. No Marcos, o menino de rua que faz artesanato com folha de palmeira; no Isaac, um nicaraguense que ama novelas brasileiras; na Ana, uma menininha que vende água de saquinho por menos de 10 centavos de real no sinaleiro; e no Jorge, o simpático jovenzinho da barraca de frutas.

o menino das frutas

O país foi a grande surpresa da América Central até agora. E eu nem planejava parar por aqui. Acabei ficando mais de duas semanas.

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Mas eu não contava com isso…

Meu primeiro grande perrengue da viagem (e espero que seja o único) aconteceu na fronteira entre Nicarágua e Honduras. Embarquei num Tica Bus (empresa que faz viagens pelos países da América Central) rumo a Cidade da Guatemala com uma parada em San Salvador (capital de El Salvador) para passar a noite.

Minha viagem durou pouco mais de duas horas. Chegando na fronteira hondurenha, tive que descer do ônibus e voltar para a Nicarágua. Explico. Viajo com dois passaportes: o brasileiro e o italiano, e só havia utilizado o brasileiro até o momento. Quando soube que Honduras passou a exigir visto para nós, cidadãos brasileiros, decidi usar o italiano. Mas não sem antes consultar a empresa de ônibus para saber se era viável. Com uma resposta afirmativa, comprei a passagem e lá fui eu. Não me deixaram entrar. Já era noite e tive que cruzar a ponte que separa os dois países a pé e pegar carona na caçamba de uma caminhonete até o povoado mais próximo. Passei a noite por ali, aconselhada por um funcionário da Tica Bus de que seria perigoso ir mais longe. Quartinho simples, quase muquifento, por 12 dólares (caríssimo, mas não tive escolha).

No dia seguinte, segui uma hora e meia em direção ao sul e parei em Chinandega. Ali eu poderia tirar o visto que me permitiria entrar em solo hondurenho. Complicação: feriado nacional pelo dia da Virgem Puríssima. Para minha sorte, o consulado abriu e em 10 minutos estava com o visto na mão. Aí era só embarcar no ônibus, que passa por Chinandega. Mas como nada é fácil, a empresa de ônibus me informou que eu só poderia embarcar em Manágua. E fui obrigada a ir até a capital.

Subi no ônibus às seis da manhã de quinta-feira (a minha primeira tentativa tinha sido na segunda), segura de ter, dessa vez, uma viagem tranquila até San Salvador. Que nada, fiquei uma hora retida na imigração hondurenha (o ônibus me esperando).

– A brasileña, cadê a brasileña, veio gritando lá de fora o funcionário da Tica Bus.

– Aqui, eu.

– Estão te chamando na imigração.

Na salinha:

– Boa tarde, algum problema, perguntei.

– É, nos temos um problema. Vejo aqui que você tem o visto para entrar no país, a questão é que o cônsul que te concedeu a permissão não reconhece o nosso novo presidente. Se eu te deixar passar, terei um problema.

– Ah…moço, eu só vou cruzar o país, nada mais. Preciso chegar na Guatemala.

– Eu sei, não é sua culpa. Vou ver o que posso fazer. Esse visto para os Estados Unidos que você tem aqui pode ajudar…Tire uma cópia e nós vamos ver.

Ligação vai e vem…momentos de tensão. O ônibus e a galera toda me esperando.

– Ok, vou te deixar passar, você não tem nada a ver com os problemas diplomáticos entre os nossos países.

Ufa…subi no ônibus e logo tive que descer. Estavam chamando a brasileña de novo. Dessa vez, oficiais nicaraguenses. Não sei porque começaram a implicar, levaram meu passaporte, olharam, fizeram umas perguntas ridículas e aí foram mais 20 minutos. Enfim, tudo resolvido e mais duas horas de tensão até El Salvador.

Um aviso: brasileiros, não passem por Honduras!

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A semana da virgem

Cheguei a Léon na semana da grande festa da padroeira da Nicarágua. Fogos e flores para a virgem Puríssima. Entre os dias 1 e 7 de dezembro, os mais religiosos adoram a santa com fervor. Na noite do dia 7, saem as ruas gritando seu nome, antecipando o feriado do dia 8 de dezembro. León é cercada por vulcões e diz a tradição que quando um deles entrou em erupção, o povo saiu às ruas com a imagem da Puríssima para pedir proteção.

catedral e coca-cola

Também por causa de um vulcão, o Momotombo, a cidade teve que mudar de lugar. Fundadaa em 1524 aos pés do Momotombo e, devastada por uma erupção, foi reconstruída anos depois 30 quilômetros mais ao sul. León Viejo, como são conhecidas as ruínas da antiga cidade, ficou embaixo da terra por muitos séculos e hoje é uma das atrações turísticas do local.

León tem aquele ar de vida devagar com um pouco da agitação dos mercados e terminais de ônibus que se vê por toda a Nicarágua. É uma bagunça agradável e um pouco decadente. As casas antigas, muito bonitas, não estão conservadas, e a catedral, um edifício imponente, se destaca agora pela má conservação. Ainda assim, Léon me encantou mais que Granada. E seria minha última parada em terras nicaraguenses.

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Nadando na cratera do vulcão

Tomei um gostoso café da manhã com ovos, torradas e gallo pinto (arroz e feijão) e segui viagem rumo a Granada, uma das cidades coloniais nicaraguenses. Duas horas no chicken bus dentro da ilha (os tradicionais ônibus escolares americanos, transformados em ônibus coletivos e de viagem aqui na América Central, são chamados assim pelos turistas porque se pode encontrar de tudo dentro deles); uma hora no chicken boat; uma corrida de taxi e mais duas horas e meia em outro chicken bus (dessa vez completamente esmagada) e eu estava em Granada.

chicken bus

passeio por granada

Não sei se pelo cansaço ou pelo hostel ruim, mas minha vontade foi de sair o mais rápido possível dali. Numa volta rápida pelo centro, vi a catedral mais feia de todos os lugares por onde já passei e não tive uma boa impressão do que dizem ser a cidade mais bem conservada colonialmente da Nicarágua. Enfim, Juliana chegou três horas depois de mim e decidimos ir juntas para a Laguna de Apoyo, a extinta cratera de um vulcão que deu lugar a um belíssimo lago. Estima-se que o vulcão foi extinto a mais de 20 mil anos e hoje as suas águas são tão azuis e limpas que é difícil não passar o dia dentro delas. E também são mornas! Fiquei dois dias hospedada num hostel na beira da lagoa, acordando com um sol delicioso super convidativo para um mergulho.

água e sol

Mais:

– A Laguna de Apoyo fica a meia hora de carro da cidade de Granada. Também é possível chegar andando até a região, que tem alguns hosteles e hotéis. Fiquei no Crater’s Edge, cuja dona é uma simpática canadense. Uma delícia de lugar. (eu fui no shuttle oferecido pelo hostal Oasis – quatro dólares ida e volta).

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Uma ilha e dois vulcões

Dois vulcões em perfeita sintonia no meio do maior lago da Nicarágua. Eu já tinha visto essa paisagem assim que cruzei a fronteira com a Costa Rica, uma semana antes. Mas dessa vez eu estava mais próxima deles. O Concepción (mais alto e ainda ativo) e o Maderas (já inativo) ficam na Isla de Ometepe, um lugar tranquilo e cheio de natureza. Eu e as meninas escolhemos ficar no meio da ilha, entre os dois vulcões. Um lugar chamado Santo Domingo, onde os hostels são todos na beira do lago. Um convite para um banho (apesar de existirem por ali os tubarões de água doce). Uma delícia pegar o chicken bus que passa pelos vilarejos e dar voltas na ilha, caminhar e caminhar. Valeu!

beleza

concepción

Mais:

– O hostel em Santo Domingo chama-se Bella Vista. Têm umas cabaninhas de alvenaria para três pessoas. Preço por noite: 7 dólares.

– É possível subir o vulcão Maderas. O trekking dura oito horas e pode ser feito com ou sem guia.

maderas. a vista do hostel

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Pausa para a festa

Primeira parada na Nicarágua: San Juan del Sur. Praia do pacifico com sol. E há quanto tempo eu não via o sol…Por lá reencontrei o Peter, o irlandês que fez a travessia de Cartagena ao Panamá comigo. E por lá, também, desvirtuei um pouco do que foi a minha viagem até agora. Dois dias numa praia deserta dormindo, comendo e bebendo do bom e do melhor com sete gringos (Peter, dois americanos e quatro canadenses), hotelzinho na cidade (para dar uma folguinha de dormitório) e muita, muita festa.

praia de colorado

praia de maderas

vida difícil essa de ser rico. eu, brad, steve, mandy, renae e nigel

San Juan del Sur é, ou melhor, era, um povoado bem tranquilo até bem pouco tempo atrás. Foi invadida pelos gringos, principalmente americanos e canadenses, que hoje também são donos de vários hosteles, restaurantes e bares. Mesmo assim, é um daqueles lugares difíceis de sair e acabei ficando quase uma semana por lá. Pôr-do-sol incrível e praias muito bonitas com direito a aulas de surfe (comecei a aprender a surfar, mas não consegui ficar em pé na prancha). E Gisele e Juliana foram me encontrar.

baladinha com as amigas juliana e gisele

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Talvez uma próxima vez

Panamá e Costa Rica, na fronteira do caribe, são separados por um rio. Depois de passar duas semanas em terras panamenhas, cruzei a ponte rumo a Costa Rica. Patricia e Gisele seguiram comigo e Juliana voltou para a Cidade do Panamá.

alugamos umas bicis e saímos por aí

Eu passaria rápido por lá. A Costa Rica é o país mais caro da América Central. A moeda é colón, mas dólares são aceitos em qualquer parte. (1 dólar equivale a mais ou menos 560 colons). Deve ser influência dos Estados Unidos. Os americanos invadiram o país para viver e fazer turismo.

salvamos uma preguiça que caiu de uma árvore

Já na chegada na imigração, uma surpresa: teríamos que ter comprovante de saída do país. Uma passagem ou reserva de voo ou ônibus. É claro que eu não tinha. Já estou a mais de sete meses na estrada e nunca planejei nada a longo prazo. Depois de alguns minutos decidindo o que fazer, o oficial nos deixou entrar sem comprovante.

Seguimos para Puerto Viejo, no caribe, e por lá passamos três noites. Chuva, chuva e chuva. O lugar é bonito (mas o que mais se vê são eles, os americanos). Patricia voltou para o Panamá, Gisele seguiu para o Pacífico e eu peguei um ônibus para San José, a capital. A ideia era partir sem demora para a Nicarágua. E é por isso que não posso falar muito sobre a Costa Rica. Não conheci a gente, as cidades e os costumes. Quem sabe fica para uma próxima.

Mais:

– De Bocas del Toro à fronteira, existem duas opções. Um shuttle que custa 10 dólares por pessoa. (uma van com ar condicionado), ou dois ônibus (Almirante – Changinola e Changinola – fronteira) que sai por 2,40.

– Hostel Pagalú é sem dúvida o melhor de Puerto Viejo e provavelmente da América Central. Novinho, limpo e muito bem decorado. Os donos, alemães, são extremamente simpáticos. Dormitório por 9 dólares.

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