Mas eu não contava com isso…


Meu primeiro grande perrengue da viagem (e espero que seja o único) aconteceu na fronteira entre Nicarágua e Honduras. Embarquei num Tica Bus (empresa que faz viagens pelos países da América Central) rumo a Cidade da Guatemala com uma parada em San Salvador (capital de El Salvador) para passar a noite.

Minha viagem durou pouco mais de duas horas. Chegando na fronteira hondurenha, tive que descer do ônibus e voltar para a Nicarágua. Explico. Viajo com dois passaportes: o brasileiro e o italiano, e só havia utilizado o brasileiro até o momento. Quando soube que Honduras passou a exigir visto para nós, cidadãos brasileiros, decidi usar o italiano. Mas não sem antes consultar a empresa de ônibus para saber se era viável. Com uma resposta afirmativa, comprei a passagem e lá fui eu. Não me deixaram entrar. Já era noite e tive que cruzar a ponte que separa os dois países a pé e pegar carona na caçamba de uma caminhonete até o povoado mais próximo. Passei a noite por ali, aconselhada por um funcionário da Tica Bus de que seria perigoso ir mais longe. Quartinho simples, quase muquifento, por 12 dólares (caríssimo, mas não tive escolha).

No dia seguinte, segui uma hora e meia em direção ao sul e parei em Chinandega. Ali eu poderia tirar o visto que me permitiria entrar em solo hondurenho. Complicação: feriado nacional pelo dia da Virgem Puríssima. Para minha sorte, o consulado abriu e em 10 minutos estava com o visto na mão. Aí era só embarcar no ônibus, que passa por Chinandega. Mas como nada é fácil, a empresa de ônibus me informou que eu só poderia embarcar em Manágua. E fui obrigada a ir até a capital.

Subi no ônibus às seis da manhã de quinta-feira (a minha primeira tentativa tinha sido na segunda), segura de ter, dessa vez, uma viagem tranquila até San Salvador. Que nada, fiquei uma hora retida na imigração hondurenha (o ônibus me esperando).

– A brasileña, cadê a brasileña, veio gritando lá de fora o funcionário da Tica Bus.

– Aqui, eu.

– Estão te chamando na imigração.

Na salinha:

– Boa tarde, algum problema, perguntei.

– É, nos temos um problema. Vejo aqui que você tem o visto para entrar no país, a questão é que o cônsul que te concedeu a permissão não reconhece o nosso novo presidente. Se eu te deixar passar, terei um problema.

– Ah…moço, eu só vou cruzar o país, nada mais. Preciso chegar na Guatemala.

– Eu sei, não é sua culpa. Vou ver o que posso fazer. Esse visto para os Estados Unidos que você tem aqui pode ajudar…Tire uma cópia e nós vamos ver.

Ligação vai e vem…momentos de tensão. O ônibus e a galera toda me esperando.

– Ok, vou te deixar passar, você não tem nada a ver com os problemas diplomáticos entre os nossos países.

Ufa…subi no ônibus e logo tive que descer. Estavam chamando a brasileña de novo. Dessa vez, oficiais nicaraguenses. Não sei porque começaram a implicar, levaram meu passaporte, olharam, fizeram umas perguntas ridículas e aí foram mais 20 minutos. Enfim, tudo resolvido e mais duas horas de tensão até El Salvador.

Um aviso: brasileiros, não passem por Honduras!

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1 comentário

Arquivado em Pelo mundo

Uma resposta para “Mas eu não contava com isso…

  1. Juliane

    guria, que sufoco, hein?! Mas o melhor deve ter sido a tua cara perguntando: “Algum problema???” hahahaha
    Saudades, amiga!!!!!!!!!!

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