Arquivo do mês: janeiro 2010

A caminho de Belize

Na Guatemala conheci de fato a gente e os costumes indígenas que até hoje são muito fortes. A próxima parada seria San Ignacio, em Belize, país que não estava nos meus planos iniciais. E lá fui eu para mais uma maratona van-fronteira-ônibus. De Santa Elena, segui em uma van (25 quetzales) para a fronteira (são mais ou menos três horas, depende de quantas vezes o veículo para para baixar e subir gente).

– “Boa tarde, seu passaporte, por favor”. Entreguei o verdinho. A oficial olhou; olhou mais uma vez; virou as páginas.

– “Por que você ainda está no país?”, me perguntou.

– “Porque estou passeando”, disse.

– “Mas você está aqui faz duas semanas e, segundo seu passaporte, você poderia ficar apenas 48 horas. O oficial de entrada te deu apenas esse período”.

– “O que, como assim???”.

– “É o que está aqui”. Carimbou a saída e não disse mais nada. Aliás, disse sim. Eu perguntei se poderia trocar os passaportes em Belize. Resposta negativa.

Cruzei a fronteira.

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Como os Maias

Já pensou subir tão alto e poder enxergar as copas das árvores até perdê-las de vista? Os Maias já faziam isso há alguns séculos antes de Cristo. Do alto de templos que chegam a 70 metros de altura, organizavam seus rituais sagrados e observavam a exuberante mata do norte da Guatemala.

imensidão verde e Maia

Foi nessa época que um dos principais centros do império Maia, Tikal, começou a ser construído. Subir em alguns dos templos, poder ver um pouquinho com olhos Mais e experimentar caminhar em meio à natureza ainda bem conservada do local foi uma experiência sem igual. Minha vontade era ficar andando e andando dias e dias por lá. Esquecer da vida e ir descobrindo aos poucos aquela imensa cidade de pedra. E olha que nem 30% foi “descoberto”. A viagem no tempo por uma cultura que eu conhecia muito pouco foi ainda mais legal na companhia dos especiais amigos da República Tcheca Jana e Honza e da divertida Anette, uma finlandesa. Adorei!

templo na praça principal. neste dia, 21 de dezembro, acontece o solstício de inverno. houve uma celebração lá (como se pode ver na foto), mas eu achei extremamente "forçada"

Jana, Anette e Honza. Parceiros especiais

Mais:

– Segundo historiadores, os primeiros templos de Tikal datam do século IV AC. Mas o auge do lugar foi mesmo entre os anos 200 e 900 DC.

– Flores e Santa Elena são as cidades mais próximas das ruínas. A primeira é maior e mais “guatemalteca”, digamos assim. Terminal de ônibus movimentado, mercado na rua – onde se pode comprar de tudo um pouco -, gente, gente, gente e mais gente por todas as partes. E os simpáticos tuc-tucs (moto-táxis adaptados com toldinho e bancos maiores que levam até dois passageiros. Ta bom, vai, se apertar cabem três e algumas sacolas…). Flores é uma ilha conectada a Santa Elena por uma ponte e cercada pelo lago Petén Itzá. A tranquila e baratíssima hospedagem Doña Goya (30 quetzales a diária em dormitório) e o badalado e lindo hostel Los Amigos (com um bom restaurante) são duas boas pedidas de hospedagem. Outro lugar para ficar é a vilazinha de El Remate, entre Flores e Tikal.

– A entrada para as ruínas de Tikal vale 150 quetzales para estrangeiros e 25 para locais. Um pouco desigual, não? Mas vale a pena de qualquer forma. A condução custa em torno de 60 (todos os hosteis fazem reservas) e o preço dos guias varia muito. É interessante contratar um, para saber um pouco mais da história do povo Maia.

– 1 dólar = 8 quetzales.

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E agora, para onde?

Já era hora de me despedir de Antigua e seguir viagem. Mas para onde? Ainda havia alguns lugares para conhecer na Guatemala quando me surgiu um problema: eu descobri que não poderia entrar no México com o meu passaporte europeu. E nem com o brasileiro, já que não tinha o visto exigido pelo governo mexicano. Eu precisava arrumar um jeito, afinal já estava com a passagem comprada para voltar para o Brasil e tinha combinado com um amigo que passaria o ano novo lá. “Belize!”, pensei.

Decidi ir para a Cidade da Guatemala tirar o visto para entrar em Belize, país caribenho que foi colônia inglesa. De lá, pensei eu, seria mais fácil entrar no México. O visto saiu em uma hora e do consulado segui para a empresa de ônibus (graças à carona de dois guatemaltecos muito simpáticos que conheci no restaurante em frente ao consulado). Não havia mais passagem para Belize naquela noite. Embarquei para Flores (três horas da fronteira e cidade base para conhecer as ruínas maias de Tikal).

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Em cima do vulcão de lava

Já tinha visto muitos, admirado vários e subido em alguns. Mas nada se comparou ao Pacaya, o vulcão de lava. Está em atividade constante e eu fui conferir de perto. Saí de Antigua rumo ao gigante com o pensamento de que esse seria um dos pontos altos da minha viagem. E de fato foi. Depois de uma subida cansativa de duas horas (eu já não estava mais acostumada…perdi a forma), cheguei ao lugar onde se pode ver a lava avermelhada passando bem ali, embaixo dos nossos pés. É um calor absurdo, uma sensação indescritível de curiosidade e medo ao mesmo tempo. Lindo, lindo, lindo. Mais bonito ainda foi ver o pôr-do-sol lá de cima, misturando-se com a lava fervendo.

beleza inigualável

um pouco assustador...

 

Mais:

– A subida ao Pacaya faz parte de um tour. Todas as agências de Antigua oferecem (e não são poucas). Os preços variam um pouco, mas giram em torno de 7 a 15 dólares (a moeda da Guatemala é o quetzal e um dólar equivale a 8 quetzales). O tour saí em dois horários: 6h e 14h30. Vale a pena ir à tarde para poder apreciar o pôr-do-sol.

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A verdadeira Guatemala

Joyabaj é uma cidade predominantemente indígena. Fica a 4 horas de chicken bus de Antigua por uma estradinha não pavimentada, no meio das montanhas verdes do interior da Guatemala. Lugar que nunca imaginei ir, está fora do roteiro turístico, mas que fui conhecer por causa do Mike. O inglês faz um trabalho voluntário naquela região. Ajuda a melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem por lá contribuindo com um projeto internacional chamado “Engenheiros sem fronteiras”. Essa gente, na sua maioria engenheiros americanos, já construiu diversas pontes, escolas e sistemas de água potável no país. E tudo isso só foi possível graças ao esforço do Mike, que faz o meio de campo entre os construtores e o governo de Joyabaj.

roupas coloridas de mulheres e crianças na praça central

Passei dois dias conhecendo as diversas vilazinhas indígenas, acessíveis só com 4×4. Visitando gente simpática, sempre com um sorriso e com a curiosidade estampada no rosto. Tive a sorte de estar por lá numa quinta-feira, quando acontece o tradicional mercado da cidade. A praça central fica lotada de barraquinhas e gente. Vende-se de tudo. De tudo mesmo, como eu nunca vi. Passei algumas horas rodando pelo mercado, atraindo a atenção de quase todo mundo. Crianças, homens e mulheres me olhavam como se eu fosse de outro planeta. Também pudera, a única turista! Mas acho que eu fiquei mais impressionada com eles, com a loucura daquele mercado: galinhas, comida, eletrônicos, gritaria, quiche; do que eles comigo.

vai uma galinha aí?

as mulehres carregam seus bebês nas costas

Mais:

– Quiché é a língua indígena mais falada na Guatemala. Além dela, existem outros 21 idiomas derivados das línguas maias. 

– As roupas das mulheres também mudam conforme a região do país. Mas são sempre coloridas e cheias de vida. 

– Parece um povo perdido no tempo. Mas não é. Essa região de Joyabaj (que faz parte do departamento de Chimaltenango) concentra a maior parte de guatemaltecos que vão em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos (são ilegais, em sua maioria). É fácil descobrir quem foi tentar o sonho americano: pelas casas grandes de alvenaria.

– Nessa viagem eu descobri o real sentido de um chicken bus. Não foi legal, não gostei. Passar quatro horas esmagada parecendo uma galinha…

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Inglês com alma guatemalteca

Quando eu vi aquele senhor simpático, barba branca de papai noel e camisa xadrez, eu já imaginava: era Mike, o servas com quem vinha me correspondendo desde a Nicarágua e que me ofereceu sua casa em Antigua, Guatemala por alguns dias.

Conversamos horas no local do encontro, o restaurante Doña Luisa, e mais horas e horas em sua casa, uma mistura de escritório, depósito, biblioteca e casa. “É um pouco bagunçada e cheia de poeira”, ele já havia advertido. Mike é um inglês de 70 e poucos anos, que escolheu a Guatemala como lar há 30 anos. Tem uma coleção de mais de 10 mil livros, desde história maia, passando por Oriente Médio e história guatemalteca. Alguns são de sua coleção pessoal e outros ele vende para universidades renomadas nos Estados Unidos. E daí vem seu ganha pão. Junto com os livros ele guarda jornais velhos e cacarecos de tudo quanto é tipo.

Mike foi parar na Guatemala meio por acaso. Já tinha viajado meio mundo e mudou-se para o México para estudar cavernas, uma de suas grandes paixões. De lá para a Guatemala foi um pulo. Se apaixonou e ficou. “Estou muito feliz que você veio conhecer o meu país”, me disse muitas e muitas vezes, enquanto contava lindas e tristes histórias de sua vida, as quais eu imaginava como se estivesse lendo um livro.

prato principal: jornais antigos

Antigua, uma cidade completamente encantadora, não seria a mesma sem o Mike. Foram quatro dias muito agradáveis.

cheguei na cidade no dia da virgem de guadalupe. a população católica estava toda nas ruas festejando e agradecendo os milagres. O povo veste as crianças (de 0 a 7) com roupinhas de "gente grande" e os meninos levam bigodinhos. perguntei para várias pessoas, mas ninguém soube me responder o porquê dessa tradição

antigua fica aos pés de dois vulcões: o agua e o fuego (na foto). a cidade já foi destruída algumas vezes por grandes terremotos e conserva algumas ruínas históricas

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