A casa do George Washington

Quem acha que os Estados Unidos só têm lojas baratas, Disney World e fast-food se engana. Aqui tem muita história. E uma coisa que os americanos fazem muito bem é conservá-la. O estado da Virgínia (Washington, DC fica entre os estados de Maryland e Virgínia) teve grande importância na história americana. Foi, por exemplo, onde se estabeleceu o primeiro assentamento inglês permanente no país, em 1607, e onde nasceram e viveram alguns dos principais fundadores da república. George Washington, que coordenou as tropas dos colonialistas contra as forças britânicas na Revolutionay War (1775 – 1783) e foi o primeiro presidente dos Estados Unidos (1789 – 1797), viveu grande parte da vida em uma fazenda chamada Mount Vernon, bem pertinho de DC.

à esquerda: casa onde george washington morou. a outra é onde ficava a cozinha

A fazenda foi restaurada pela Mount Vernon Ladies’ Association. São cerca de 500 acres de terra (eram 8 mil no Século 18), às margens do rio Potomac, que contam um pouquinho da história, do dia-a-dia e dos feitos do primeiro presidente da república. Está certo que tudo aqui é meio que transformado em show, com direito a performances. Tem gente vestida à caráter, filme retrantando uma das mais importantes batalhas pela indendência, ônibus para circular pelo local com os visitantes mais cansados, restaurante com comidas típicas e, é claro, fast-food. Mas e isso não é bom? É tudo lindo, limpinho e muito bem convervado. Uma maneira de manter viva a história desse que é considerado o homem mais importante da história americana.

empregados do george washington clicados enquanto descansavam. vamos trabalhar, pessoal!!

Um volta pela casa mostra os diversos quartos que o casal George Washington e Martha mantinha para hóspedes, o próprio quarto onde dormiam, amplas salas e escritórios e uma cozinha acoplada à edificação principal. Os vistantes podem subir e descer as escadas, passar entre os cômodos e quase que ter a sensação de terem feito uma viagem no tempo.

Do lado de fora ficam as casas onde se curava carne, lavava-se roupa e onde os escravos viviam. Mais adiante, hortas, jardins, plantações de trigo e, o mais legal, o rio Potomac. George Washington foi enterrado lá, assim como sua mulher e outros familiares, e os turistas podem visitar seu túmulo. Ah, se não fossem os esvravos…como será que ele manteria uma propriedade tão grande?

o primeiro presidente dos EUA podia descansar às margens do potomac, ainda dentro de sua propriedade

A fazenda de Mount Vernon (3200 Mount Vernon Memorial Highway)  fica aberta 365 dias por ano. A entrada custa 13 dólares. Se você não tiver carro, o que é o meu caso, pegue a linha amarela até Huntington e de lá o Fairfax Connector Bus 101.

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Voltando!!

Parece que me falta um pedaço quando não escrevo. Então faz mais de ano que estou despedaçada. Tenho aquela sensação de que tudo o que vivo vai, de alguma forma, se perdendo para sempre dentro da minha cabeça. E olha que eu teria muitas e muitas histórias legais, ou pelo menos curiosas, para contar. Histórias de um ano inteirinho aqui nos Estados Unidos.

Ainda estou em Washington, DC. Uma primavera, um verão, um outono, um inverno (e que inverno…) e outra primavera já se passaram. E eu mudei de casa duas vezes. Agora moro com uma inglesa de decendência bengali, a Nasima, e seu filho Josh, de 10 anos. E outro verão está começando. Verão daqueles: 40 graus à sombra, umidade 90%; o suor escorrendo pela testa. Ar condicionado de gelar os ossos; nariz seco e muitos espirros o dia inteiro. Mas com o calor chegando, a cidade fica a mil. Vários eventos, música, gente pedalando (eu seria incluída aí se minha bicicleta não tivesse sido roubada depois de quatro dias de uso), sol, sol e mais sol.

Na verdade, a cidade começou a se encher de vida novamente com a chegada da primavera. E numa cidade arborizada como DC, as flores estão por toda a parte. A primareva começou com o Cherry Blossom Festival (veja as fotos abaixo e leia um pouquinho aqui).

Um outro evento legal que aconteceu por aqui foi o Passport DC, que acontece todo ano durante o mês de Maio e traz um ar ainda mais internacional para a cidade. É uma viagem pelo mundo sem sair da cidade. Durante o evento, embaixadas de vários países abrem suas portas para os visitantes, mostrando um pouquinho da cultura, tradições e culinária. Esse ano foram 60. E eu fui conferir algumas.

Dei um pulinho na Bolívia, na Croácia, no Haiti; conheci um as tradições da República Dominicana, comi hummus no Iraque, visitei a casa do embaixador do Brasil e conversei com o embaixador do Nepal.

casa do embaixador brasileiro nos Estados Unidos

eu e o embaixador do Nepal nos EStados Unidos, Shankar Sharma

Estou voltando para o blog. Não me abandonem!

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Eu voltei! E já é 2011.

Voltei para o blog! Meu último post tinha sido em maio de 2010 e de lá pra cá muita coisa mudou.

2010 passou voando e foi um ano de muitas mudanças. Vim para Washington DC por causa do Yuriy. Trabalhei num restaurante turco por dois meses, viajei para New York, Philadelphia, San Francisco, Los Angeles, Napa Valley, Seattle, Kansas City e Mineapolis, voltei para o Brasil para tirar o visto de estudante e regressei à DC em agosto, fiz 30 anos (sim, sim!), arrumei um emprego de babysitter e um estágio em jornalismo no Voice of America, (re)comecei a estudar inglês, conheci muita gente legal, terminei meu namoro e fui morar num studio com uma roommate colombiana, passei minha primeira virada de ano no frio…Ufa! Eu continuo inventando o mundo.

E tenho certeza que 2011 vai ser um ano de muitas invenções. Vou procurar atualizar o blog sempre que possível; não quero mais deixar ele morrer.

2010 em fotos:

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Arte e mais arte em DC

Antes de partir, fui visitar a National Gallery of Art (a entrada é grátis, mas ele não faz parte dos 19 museus mantidos pelo Instituto Smithsonian. É mantido parte pelo governo e parte por doações da iniciativa privada. Só fui saber disso agora, pesquisando para escrever no blog).

uma das minhas favoritas. by renoir

São pinturas, desenhos, esculturas, peças decorativas e fotografias de artistas de todas as partes do mundo. Uma das minhas coleções preferidas é a dos pintores Impressionistas e Modernistas. (de 31 de janeiro de 2010 a 31 de julho de 2011). As peças, em sua maioria, foram doadas por Chester Dale (1883-1962), um bem sucedido homem de negócios de Wall Street. Em 1920, Dale começou a sua coleção de peças pintadas no final do século XIX e começo do XX. Quem visitar o museu, poderá apreciar obras de Monet, Cézanne, Degas, Renoir, Dalí, Picasso, Van Gohg e outros importantes artistas. E o que é mais legal: é permitido tirar fotos!

four dancers. by degas

National Gallery of Art

Onde: 4th and Constitution Avenue NW, Washington, DC

Quando funciona: de segunda a sábado, das 10 às 17 horas. Domingo, das 11 às 18 horas. (fechado dia 25 de dezembro e 1 de janeiro)

São dois prédios – West, inaugurado em 1941, e East, aberto em 1948 e que conta com obras modernas.

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Até breve

Daqui três dias dou adeus a DC. Passei dois meses na cidade trabalhando e conhecendo lugares lindos…sempre em ótima companhia. Vou sentir saudades. Na próxima terça embarco com o Yuriy para Kansas City e na sexta, partimos para Minneapolis e depois California. Volto para o Brasil no dia 5 de junho (sim, sim, é quando acaba meu visto)…

jantarzinho romântico para comemorar meus dois meses em DC

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Uma história

Elisabeth trabalha no Cafe 8, o restaurante em que trabalhei por dois meses. Saiu de El Salvador há um ano e meio. Motivo: tentar uma vida melhor nos Estados Unidos. Pode ser uma história comum, já que todos os dias centenas de ilegais cruzam a fronteira entre o México e os Estados Unidos justamente para “tentar uma vida melhor”. Certamente quase todo mundo já leu sobre o assunto: gente pobre, coiotes, deserto, fronteira, polícia. Eu nunca tinha conhecido ninguém que tivesse se arriscado dessa forma para vir morar por aqui.

No Cafe 8 eu conheci a Elisabeth, a Blanca e o Jesus. A Elisabeth me contou a sua história. Ela ganhava 100 dólares por mês trabalhando na cozinha de um restaurante de uma pequena cidade salvadoreña. Aos 27 anos, tinha um marido e um filho – que nasceu quando ela tinha 19. O marido foi assassinado quando voltava do trabalho para casa. Seguindo os passos da irmã, que mora em DC há cinco anos, Elisabeth – então grávida de 4 meses – deixou o filho e embarcou numa viagem de quase dois meses cruzando o seu país, a Guatemala e o México.

Elisabeth

Ela conta que já na fronteira entre a Guatemala e o México foi pega por policiais mexicanos, que ameaçaram deportá-la de volta para El Salvador. O jeito: subornar a lei (policias fronteiriços são super corruptos no México). No caminho entre o México e os Estados Unidos enfrentou ainda mais desafios: subiu em uma caminhonete com mais 50 imigrantes, quase todos escondidos em baixo dos bancos. Viajaram quilômetros e quilômetros assim, abaixados para não serem vistos pelos oficiais americanos. Foram assaltados por ladrões mexicanos, que se escondem no deserto justamente para atacar os ilegais e roubar o pouco dinheiro que ainda lhes resta. Tudo isso lhe custou 7 mil dólares. Um dinheiro que ela não tinha (e ainda não tem), mas que teve que pagar a vista para que os coiotes mexicanos a atravessassem. Para isso fez um empréstimo a irmã.

Hoje, com 29 anos, Elisabeth ganha cerca de 700 dólares por mês. Trabalha na cozinha e ajuda os garçons a limpar as mesas e servir os clientes. Não fala inglês e ainda está pagando o empréstimo de 7  mil dólares a irmã. Deu à luz a uma menina, mas aos seis meses a mandou de volta para El Salvador por uma senhora que vem e vai todo o mês levando e trazendo encomendas, fotos e crianças. No dia 23 de abril sua filha completou um ano. Ela estava triste por não poder estar perto nessa data tão importante. “Mas a senhora mensageira vai me trazer umas fotos dela”, me disse.

Perguntei se tudo isso valeu e continua valendo a pena. A resposta foi afirmativa e ela faria tudo de novo se precisasse. Elisabeth é uma dos cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem por aqui. (estimativas de 2008 do Center of Immigration Studies. De acordo com o Pew Research Center, 57% são mexicanos e 24% de outras partes da América Latina, primordialmente de países da América Central).

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Quanto tempo!

Faz um tempão que não escrevo aqui. O trabalho estava me consumindo muito…Enfim, pedi demissão! Eu até estava ganhando uma graninha, mas de três semanas para cá, os turcos me colocaram no turno do almoço e não estava valendo a pena. Fora a energia negativa de alguns funcionários, que levam o “american way of life” super a sério, ou seja, dinheiro em primeiro lugar, e acabam passam por cima de todo mundo (eu quero dizer, roubam dinheiro…sim, sim…). Enfim, o restaurante também não era dos mais limpinhos, eu ficava com nojo de comer lá. Agora tenho mais tempo para curtir a cidade.

E falando em curtir, a Páscoa foi bem legal (sei que já faz quase um mês, mas não tinha escrito aqui ainda). Eu e o Yuriy fizemos um picnic embaixo das cerejeiras, na beira de um lago, com direito a vinho, queijos e pãezinhos. Super romântico. Seguem as fotos.

páscoa legal

meu gatinho toca violão

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